Chuvas devem continuar abaixo da média em 2015, diz Cemaden



Se o ano passado foi um período de condições climáticas extremas no Brasil, entre elas a seca em diversas regiões, a situação em 2015 pode piorar. Esta é a avaliação feita pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) em Cachoeira Paulista (SP), que já prevê chuvas abaixo da média novamente.

 

De acordo com o meteorologista do Cemaden, Marcelo Seluchi, neste verão choveu pouco mais da metade do normal para o período. O órgão é uma das extensões do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para estudos e alertas de desastres naturais. “Comparado com o ano passado, a situação de 2015 pode piorar nas metrópoles em várias regiões do Brasil e no Vale do Paraíba”, afirma.

 

Segundo Seluchi, as condições climáticas neste ano estão sendo influenciadas por fenômenos extremos registrados em 2014 – um dos anos mais secos da história. “A falta de chuva neste ano já tem a ver com o solo seco pela falta de chuva. Estamos com um sistema de alta pressão no ar, ele é mais fraco que o do ano passado, mas atrapalha a chuva. É uma cadeia e os efeitos se somam”, explica o especialista.

 

Os sistemas de alta pressão são uma espécie de força que se forma no ar, bloqueando a passagem das chuvas. No ano passado, o fenômeno – que não é comum na região do Pacífico – atingiu condições extremas durante o verão, formando um sistema de bloqueio com o ar pesado e que impediu a umidade. “Tivemos 45 dias de calor extremo e falta de chuva no último verão. Isso é absurdamente altíssimo, é como se tivéssemos um balão de ar quente no ar. O verão passado foi o mais seco que já tivemos registro”, afirma Seluchi. Para o meteorologista, ainda não foi possível identificar as causas do fenômeno, que segue sendo estudado por especialistas.

 

Consequências

O sistema de bloqueio no verão ainda causou interferência nas demais estações do ano na maior parte das regiões do país. “Tivemos algumas inundações nas regiões amazônicas, pois as chuvas acabaram se concentrando muito por lá e o semiárido do nordeste também foi muito irregular em 2014. As outras estações também foram mais quentes e mais secas. No geral, foi um ano de extremos climáticos”, disse.

 

No Vale do Paraíba, o ano passado foi o quarto mais quente já registrado com temperatura média de 29,1°C, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O instituto, porém, ainda está consolidando os dados da média nacional do clima em 2014.

 

Para Seluchi, ainda não é possível fazer uma previsão mais precisa para as condições climáticas durante todo o ano de 2015, mas pela tendência, as chuvas devem seguir em baixa pelo menos até o fim de janeiro. “Estamos no metade da estação e choveu apenas metade do que deveria chover. Se continuar assim, a seca que atinge principalmente a região sudeste pode se agravar”, avalia o meteorologista.