Contêiner único vai substituir os coloridos na coleta seletiva



O objetivo principal da substituição dos contêineres é otimizar a coleta e evitar que os locais fiquem sujos ou sejam mal utilizados – muitos moradores e catadores não respeitam a separação. Além disso, aumentar o número de pontos de LEV facilita para os moradores que querem começar a separar o lixo porque os pontos de entrega vão aumentar e ser mais bem localizados.

 

No caso do lixo úmido (orgânico), a Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) avalia a colocação de um outro contêiner, ao lado do seco (reciclável). Não há data para as mudanças.

 

Hoje, as lixeiras coloridas são utilizados na capital como estratégia educativa, onde cada cor representa um tipo de material, mas todos são recolhidos em um mesmo caminhão e encaminhados para as cooperativas responsáveis pela separação e destinação para reciclagem. A ideia é que os LEVs, com os novos tambores, sejam distribuídos em locais de grande circulação para incentivar os moradores.

 

Em outros países, esse modelo de contêiner único vem sendo utilizado como alternativa para viabilizar a reciclagem em mais pontos da cidade. Em Buenos Aires, na Argentina, por exemplo, eles têm apenas uma abertura superior, evitando que sejam abertos e o lixo retirado.

 

Orçamento. A ampliação do serviço na capital está prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LOA) de 2015. O orçamento da SLU é de R$ 445 milhões – R$ 23 milhões para investimentos. A superintendência não informou quanto será destinado à coleta seletiva. No texto da LOA, há três trechos que somam R$ 500 mil para ampliação do programa. A lei prevê ainda a reestruturação dos galpões para triagem dos materiais recicláveis e de orgânicos.

 

Hoje, cem das 700 toneladas de recicláveis recolhidas por mês (1,2% do lixo produzido na cidade) vêm dos contêineres coloridos. Os LEVs começaram a ser instalados em 1993. Há quatro anos, havia 105 pontos, mas 19 foram desativados à pedido de associações de bairros porque eles estavam acumulando sujeira.

 

“As pessoas precisam entender que a separação de materiais é um dever cidadão. Tem que educar a população, investir em propagandas e ampliar o serviço. Se isso não ocorrer, vai continuar sendo só um ponto de entrega”, destacou o engenheiro sanitarista Cláudio Cançado.

 

Ele acredita que a coleta seletiva só vai funcionar quando não tiver mais áreas para aterros. “Vai ser como a água (em referência à crise hídrica), que precisou acabar para haver conscientização. A cidade não pode mais fingir que recicla. Por enquanto, só temos aumento da taxa de lixo”, destacou. Para 2015, a taxa foi reajustada em 9,26%, mas a SLU afirma que o aumento não tem a ver com a ampliação do serviço.

 

Saiba mais

Atendimento. Os 87 pontos – com 273 contêineres para recicláveis – atendem hoje 293 bairros em um raio de 1 km. Como a capital tem 487 bairros, muitos moradores ainda precisam andar muito para reciclar.

 

A SLU não informou as datas nem os pontos que terão ampliação. Mas vale destacar que a adesão à coleta seletiva na capital é de apenas 15% onde há o serviço na porta

de casa.

 

Desperdício. Todos os dias, a SLU envia 1.800 toneladas de lixo para o aterro sanitário de Sabará, na região metropolitana, ao custo de cerca de R$ 54 mil.

 

Lei. Desde o ano passado, os municípios brasileiros são obrigados, pela Polícia Nacional de Resíduos Sólidos, a implantar coleta seletiva e aterrar apenas o que for realmente for rejeito.

 

14-01-2015