Estiagem em 2015 tende a ser muito mais severa em Minas Gerais



Dados de modelagens numéricas feitas por computadores de previsão meteorológica indicam um cenário muito mais preocupante com relação à estiagem em Minas Gerais ao longo do ano de 2015 da que foi verificada em 2014.

 

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No último ano, 102 municípios mineiros decretaram “situação de emergência” em virtude dos estragos e da crise econômica alavancada pela forte estiagem. Diversas represas secaram e nascentes importantes, como uma das tantas que formam o rio São Francisco, também deixaram de vazar água.

Todas as usinas hidrelétricas instaladas em Minas Gerais estão com nível de armazenamento muito baixo, o que praticamente restringe a produção segura de energia elétrica nos próximos meses, incluindo o complexo de Furnas, no centro-sul do estado.A situação mais delicada observada é a do reservatório Bom Retiro, no rio Paraopeba, entre Curvelo e Pompéu, que possui dramáticos 4,3% do volume total.
Além do Vale do Jequitinhonha e toda a porção norte mineira, naturalmente mais secas, as projeções de precipitação para os próximos seis meses são unânimes em indicar pouca ou nenhuma precipitação acumulativa. O mesmo cenário é desenhado para a Região Metropolitana de Belo Horizonte, que pode ter em 2015, o menor índice pluviométrico da história, caso as previsões se confirmem.
Para as bacias de grandes rios no oeste, sudoeste e sul do estado, o indicativo não mostra chuva acumulativa, o que poderá provocar um colapso no abastecimento de água das cidades e na geração de energia elétrica.
Para o biólogo Ricardo Motta Pinto Coelho, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a previsão é de falta de água. “A crise hídrica está sendo aguçada e com isso o racionamento de energia elétrica e de abastecimento é realidade que só os governos não querem ver. O baixo nível das águas é resultado de recargas de lençóis subterrâneos comprometidos e que respondem por 90% da água doce”, afirma.

O raciocínio é lógico. O período maior de precipitação em Minas Gerais vai se novembro a março. Os últimos dois meses de 2014 não mostraram chuva dentro da média em todo o estado e o primeiro trimestre de 2015 caminha para um cenário ainda mais pessimista. De abril até o próximo mês de novembro, o período é de estiagem completa em todo o estado. Não há solução, por via de água gerada pela chuva, para sanar a crise hídrica no estado.

09-01-2015