Seca deixa construção de 19 metros descoberta na represa de Paraibuna



A seca que atinge o Estado de São Paulo tem mudado o cenário de reservatórios da região. Na represa de Paraibuna, que integra a bacia do rio Paraíba, o baixo nível da água deixou uma tulipa de 19 metros de altura, que escoava água do local, totalmente descoberta.

 

A construção é utilizada para escoar a água quando a represa atinge sua capacidade máxima. Se a represa estivesse em condições normais, a água estaria no limite da altura na tulipa. A última vez que isso aconteceu foi em janeiro de 2010 e, desde então, o nível do reservatório vem caindo e chegou a 0,49% da capacidade nesta quarta-feira (7).

 

As chuvas na região nos últimos meses também não têm ajudado a encher os reservatórios. Em dezembro choveu sobre a bacia do Paraibuna apenas 125mm – abaixo da média histórica, que é de 240mm. A água da represa abastece o Vale do Paraíba e cidades do Estado do Rio de Janeiro. Para o vice-presidente do Comitê de Bacias Hidrográficas, Luiz Roberto Barreti, a recuperação do reservatório deve acontecer de forma lenta. "Em um ano de recessão de chuvas, já que a previsão para 2015 não é muito favorável, no mínimo deve levar quatro anos, ou talvez algo mais, dependendo das condições atmosféricas [para a represa recuperar sua capacidade]", afirma.

 

Volume morto

Devido à situação crítica, a Agência Nacional de Águas (ANA) autorizou o uso do volume morto das represas na bacia Paraíba do Sul, que opera com 2,5% de capacidade. Diferente do Sistema Cantareira, não serão necessárias obras para viablizar a captação no local.

 

Segundo o Comitê de Bacias, mesmo quando o nível do reservatório chegar a 0% do volume útil, parte da água continuará chegando às comportas da usina por gravidade. Com o uso da reserva técnica, a represa aumentará a capacidade de operação em 44%. Apesar da autorização, a ANA afirmou que ainda estuda o quanto de água será utilizado no volume morto das represas e se a reserva utilizada será a da represa de Paraibuna.