Cidades inteligentes

Atendimento de emergência, inclusão digital, monitoramento ambiental, melhorias em segurança, trânsito sem nós, educação de qualidade. E mais uma centena de itens necessários para uma cidade funcionar, interligados e com a possibilidade de ser acessados por meio de um sistema de comunicação inteligente usando tecnologia sem fio. Uma rede capaz de ser eficiente até mesmo em casos de urgência, como uma grande catástrofe. "A partir de um edital, oito propostas de pesquisa foram reunidas no Brasil. Criou-se uma rede em torno do tema cidades inteligentes, na qual os pesquisadores terão a chance de trabalhar dentro de uma filosofia em comum", define o professor do Departamento de Informática da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e coordenador geral do projeto, que tem prazo de conclusão de 24 meses, Aldri Luiz dos Santos.

Mas como será essa infraestrutura de comunicação e informação nas cidades brasileiras? Em quanto tempo vai ser possível acessá-la? As respostas para essas questões são justamente o que esperam encontrar os pesquisadores de diversos centros de ciência no país, reunidos no projeto Construindo cidades inteligentes: da instrumentação dos ambientes ao desenvolvimento de aplicações. Financiado pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Tecnologias Digitais para Informação e Comunicação (CTIC), da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) do Ministério de Ciência e Tecnologia, o estudo propõe um aprofundamento da pesquisa em torno do tema cidades inteligentes. O conceito abrange a oferta de serviços de comunicação e informação com o objetivo de melhor atender o cidadão nos conglomerados urbanos, garantindo também uma gestão pública mais eficiente.

Um dos conceitos atuais de cidade inteligente é de que para ter rapidez de resposta frente a diversos problemas - de trânsito, saturação num determinado hospital, emergência na área central - um núcleo urbano precisa de comunicação eficiente. Mas, para viabilizar a aplicação prática do projeto, no entanto, serão necessários de 20 anos a 30 anos. "Há muito trabalho a ser feito nessa área e vai demorar bastante. Mas a proposta está fomentando gestões públicas inteligentes que tenham a ver com a tecnologia de comunicação e informação", acrescenta o professor.

Segundo explica Aldri dos Santos, o primeiro passo para construir uma cidade inteligente é adquirir dados urbanos, por meio de redes de sensores e internet. "Depois, vêm os sistemas de comunicação, armazenamento e acesso dos dados por meio de tecnologias de rede sem fio, além da construção de aplicações que beneficiem essa infraestrutura. Por isso, o projeto é subdividido em três vertentes: instrumentar para que sejam criadas tecnologias ligadas à internet, comunicação entre redes sem fio e sensoriamento de ambientes", diz.

Para isso, os pesquisadores estão sendo incentivados a pesquisar esses campos com o objetivo de criar ferramentas para que cada serviço planejado pelo poder público possa ser efetivamente usado. Para desenvolver um sistema de saúde, por exemplo, é preciso coletar dados e enviá-los para uma outra rede que possa armazená-los de maneira organizada e fácil de ser disponibilizados depois. "Ou seja, é preciso ter uma infraestrutura de comunicação para que os dados cheguem até onde o governo deseja. É o que o projeto propõe. A partir daí, será necessária uma segunda rodada de estudos para que o governo decida como essa plataforma será usada", especifica Santos.

O valor total financiado pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa, que envolve cerca de 30 professores, é de R$ 1, 88 milhão, a ser distribuído igualmente entre as instituições. Ao lado da Federal do Paraná, estão envolvidas na iniciativa as universidades federais de Minas Gerais (UFMG), São João del -Rei (UFSJ), Ouro Preto (Ufop) e Universidade de Formiga (Unifor), e ainda a Universidade de Brasília (UnB), PUC-Rio, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade de São Paulo, e as federais de Alagoas (Ufal), Espírito Santo (Ufes), Goiás (UFG), Fluminense (UFF), Federal do Pará (UFPa), Rio Grande do Sul (UFRGS), Rio de Janeiro (UFRJ), Rio Grande do Norte (UFRN) e Santa Catarina (UFSC).

RUMO CERTO Para o coordenador geral do Cidades inteligentes, as diferentes realidades entre os municípios brasileiros exigirá parâmetros específicos neste segundo momento. "Ainda não está definido como a plataforma poderá ser aplicada numa cidade pequena ou muito grande. A tecnologia de transmissão de dados numa metrópole como Belo Horizonte é muito mais complexa que numa cidade do interior", cita. Outro fator distinto de aplicação é a área envolvida. "A forma que tratamos a saúde pública e a educação é diferente. Um dos ambientes de teste do projeto ligado à comunicação e sensoriamento será Belém, capital do Pará, que é cortada por um rio muito grande, onde é preciso comunicar de uma margem à outra. Para isso, será usada uma tecnologia diferente do que a aplicada em São Paulo", revela o professor do UFPR.

Na visão de Santos, as cidades inteligentes são uma tendência inevitável. "O projeto permitirá ações dinâmicas. O país vai economizar dinheiro, melhorar o atendimento ao cidadão e poder planejar melhor. Hoje temos o princípio que é sempre necessário fazer uma estatística para levantar dados. Com as cidades inteligentes, tudo isso será acompanhado em tempo real", acrescenta.