Equipe adota medidas de proteção nas obras do Rio São Francisco



No sertão da região Nordeste, a interferência que se vê na paisagem é a provocada pelas obras de transposição do Rio São Francisco, que cruzam quatro estados. E como isso mexe com a vegetação e com os bichos dessas áreas, foram surgindo algumas iniciativas de proteção.

 

Um trecho do eixo leste da transposição, no município de Floresta, está funcionando de maneira experimental. A água é captada no lago da barragem de Itaparica e percorre 25 quilômetros até chegar à barragem de Areias, o primeiro reservatório construído na transposição a ser inundado. Ao todo vão ser 27.

 

Todos os dias, uma equipe de biólogos e veterinários vai até a barragem. Com a inundação, pequenas ilhas se formaram, e animais ficaram isolados. Esta é uma operação anti-afogamento.

 

O grupo faz uma espécie de caçada. Os animais devem ser soltos em outro local.

 

“É uma área já predeterminada pelo Ibama e que já está toda georeferenciada com temperatura, umidade, já está tudo marcado e então eles são soltos lá”, afirma a bióloga Tamires Campos.

 

O grupo pesa, mede e fotografa cada um. Setenta mil passaram por esse processo, e 80% já foram devolvidos à natureza.

 

A 250 quilômetros, no município de Brejo Santo, no Ceará, fica uma parte do eixo norte da transposição, onde as obras estão em um estágio bem menos adiantado. A fase é de desmatamento.

 

Os ambientalistas acompanham de perto. Todas as informações do resgate são enviadas ao Ibama e ao Ministério da Integração Nacional para a formação de um banco de dados da fauna e da flora da caatinga.

 

Centenas de quilômetros de vegetação foram destruídos para os dois canais passarem. Mas viveiros estão sendo criados com sementes, coletadas na região para o reflorestamento.

 

“Não é uma coisa que vai acontecer em dois, três anos, por conta do próprio clima e do ambiente. E isso é realmente uma barreira para que a gente consiga implementar projetos de recuperação”, diz o analista ambiental Fábio Socolowski.

 

Não há água para irrigação enquanto os canais não estiverem prontos. Por isso, a plantação só vai ser feita quando chover.

 

“Elas devem ser colocadas de volta na natureza em um momento de maior disponibilidade de água, que é no período chuvoso, principalmente entre os meses de janeiro, fevereiro e março, mesmo nos locais mais secos”, conta o professor Renato Garcia Rodrigues, da UNIVASF.

16-12-2014