Despoluição da Pampulha é tema da Comissão de Meio Ambiente na ALMG



A falta de um plano de manutenção das águas da lagoa da Pampulha, cartão-postal da capital, foi criticada nesta terça-feira em audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Além de atrasos e entraves judiciais nas intervenções, a necessidade de contratar uma empresa para evitar novos assoreamentos teve destaque no evento, que contou com presenças de membros de prefeituras de Belo Horizonte e Contagem, na região metropolitana, sociedade civil, especialistas em meio ambiente e políticos.

 

O desassoreamento – dragagem – foi concluído, mas o leito está acumulando resíduos novamente, devido à falta de um plano de manutenção, segundo o diretor de meio ambiente da Associação dos Bairros São Luiz e São José (Pro-Civítas), Fábio de Souza Melo. “Em qualquer lugar onde há desassoreamento, existe manutenção contínua, mas no edital da (limpeza da lagoa da) Pampulha isso não estava previsto. A empresa concluiu a obra, e não houve continuidade”, reclama o representante dos moradores.

 

Secretário municipal de Obras, José Lauro Nogueira explica que, conforme o calendário de estudos, será possível prever o impacto do assoreamento e prosseguir com a manutenção após o período das chuvas. “Estamos estudando diversos elementos para determinar qual é o melhor regime de contratação para essa manutenção. Não queremos o retorno de dragagens invasivas e agressivas”, afirmou.

 

Segundo ele, a prefeitura quer aproveitar a experiência com o trabalho já feito. “Se conseguirmos concluir os trabalhos e contratarmos uma empresa até junho de 2015, estaremos em uma situação que consideramos ótima”.

 

Especialista. Contratado para analisar os efeitos do assoreamento, o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Ricardo Motta explicou que não existe nenhuma empresa trabalhando para manter o que já foi feito na lagoa. Segundo ele, é preciso acelerar o processo, principalmente devido à estação das chuvas. “As primeiras chuvas já trouxeram muitos dejetos e nutrientes que vão fertilizar em excesso a represa”, diz o biólogo, que acompanhou toda a obra.

Motta explicou que, durante as coletas diárias que faz com alunos na lagoa, observou uma piora muito rápida na qualidade de água em decorrência da entrada de sedimentos e de esgoto.

03-12-2014