Três Marias tem vazão reduzida para garantir o nível mínimo do Velho Chico



A vazão defluente (água liberada) pela Usina Hidrelétrica de Tres Marias foi reduzida ontem de 150m3/s para 140m3/s, com o objetivo de garantir o nível mínimo do Rio São Francisco e preservar o reservatório, que, devido à estiagem prolongada, está com apenas 4,4% da capacidade máxima. A decisão foi tomada nessa quinta-feira em reunião da Agência Nacional de Águas (ANA), com a participação de representantes do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), da Cemig, da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) e de outros órgãos. Também estiveram presentes representantes dos usuários à jusante do Projeto de irrigação do Jaíba (Norte de Minas). Em nota, a ANA informou que a decisão de reduzir a defluência de Três Marias foi tomada a partir de um consenso entre os participantes da reunião. Há uma verdadeira queda de braço entre os usuários da Bacia do São Francisco, situados acima e abaixo da represa de Três Marias. No início da semana passada, a Câmara Consultiva do Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto São Francisco recomendou que a liberação de água fosse reduzida para 140m3/s em outubro e para 120m3/s em novembro, justificando que, se a medida não for adotada, o reservatório pode secar no mês que vem, caso o período chuvoso se atrase mais ainda.

 

O diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, argumentou que, numa primeira etapa, a defluência foi reduzida em decisão conjunta com a ANA, visando a garantia do abastecimento humano e a necessidade de não deixar faltar água para os cerca de 2 mil irrigantes do Jaíba e demais usuários rio abaixo. Chipp disse ainda que, tendo em vista a prioridade do abastecimento humano, a Hidrelétrica de Três Marias está quase desativada, com apenas duas das seis turbinas em funcionamento, com uma geração de 44MW/h enquanto a capacidade instalada é de 396MW/h.

13-10-2014