Seis municípios da Grande BH enfrentam racionamento



Pelo menos seis cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) enfrentam crises no abastecimento de água potável. A primavera, que começou ontem às 23h29, com estiagem e calor, só agrava a situação. Embora a Copasa minimize o risco de falta d’água, “o racionamento já começou em muitas cidades, onde parte da população é atendida com caminhões-pipa da Copasa”, disse o prefeito de Betim e presidente da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Granbel), Carlaile Pedrosa.

 

Tardiamente, os prefeitos das 34 cidades que compõem a entidade devem se encontrar para discutir a crise no abastecimento de água. “Na quinta ou sexta, no mais tardar segunda-feira, a Granbel vai marcar reunião sobre isso”, contou o prefeito. “A situação começou a complicar no Colar Metropolitano. Em Pará de Minas já está um caos”.

 

Segundo ele, bairros como o PTB, em Betim, já estão sem água nas torneiras e muitos poços artesianos secaram. A economia de água começou a ser feita na cidade, onde a Copasa atende a praticamente 100% das habitações. Porém, mesmo sem previsão de chuva significativa nos próximos meses, Carlaile reconhece que não tem noção de quais municípios da Grande BH apresentam mais problemas no abastecimento de água.

 

Em Igarapé, cidade vizinha à capital, o alerta para que os 36 mil habitantes economizem água partiu do Grupo de Defesa Ambiental Guará, uma organização da sociedade civil criada em 2010. Nos últimos cinco dias, informou o secretário municipal de Governo, Rafael Valadão, um carro de som da Copasa percorre as ruas com o mesmo objetivo. “A represa de Igarapé, que capta água do córrego Estiva, está 15 metros abaixo do nível normal, e é responsável por abastecer BH e Contagem. Igarapé é abastecida pelo sistema Rio Manso”.

 

Segundo o secretário, Igarapé está passando por uma crise de falta d’água pelos mesmos motivos de tantas outras cidades: a escassez de chuva. “Juatuba, Rio Manso, São Joaquim de Bicas, Betim e Ibirité estão na mesma situação. Não é problema de bombeamento; é falta de água mesmo”.

Valadão disse que a prefeitura fez reuniões com as comunidades e com a diretoria da Copasa para tratar do problema. “Foi feito um estudo logístico para que fosse garantido o abastecimento das escolas e creches, hospitais e postos de saúde por caminhão-pipa da Copasa”.

 

Alerta

 

Ontem, a Copasa emitiu um alerta à população informando que “Igarapé passa por uma crise de falta d’água por causa da escassez de chuva” e pedindo a colaboração de todos os moradores para enfrentar o período de estiagem.

 

Segundo a empresa, Igarapé é abastecido por dois sistemas produtores – o córrego Estiva, responsável pelo atendimento de 35% da cidade, e o sistema Rio Manso, que abastece os outros 65%. No entanto, o longo período de estiagem reduziu a vazão do Estiva, provocando intermitência no abastecimento municipal.

 

A empresa alega que Minas Gerais passa pela pior crise hídrica dos últimos cem anos, mas informa que os reservatórios que abastecem Belo Horizonte estão com os níveis de oscilação previstos para o período de estiagem. “No momento, não há risco de desabastecimento, visto que a distribuição de água é caracterizada pela integração de vários sistemas de produção, localizados nas bacias dos rios das Velhas e Paraopeba”.

 

O risco de ficar sem água se estende por 3.069 municípios no país, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA). Estudo feito pelo órgão mostra que a vazão média dos rios mineiros caiu mais de 40%. l

 

24-09-2014