Potencialidades do Cerrado são tema de debate em sete oficinas



Diferentes setores da área ambiental participam de sete oficinas no Ministério do Meio Ambiente (MMA), durante oito dias (de 30/07 a 06/08), cada uma formada por um público específico. A finalidade é ampliar as contribuições e aprimorar os possíveis cenários para o bioma Cerrado, tendo como horizonte os anos de 2022 e 2030. “Temos três pontos a observar para traçar, estrategicamente, o ordenamento territorial, que são o potencial e as fragilidades do território, e as tecnologias disponíveis, e, observando esses três pontos, podemos fazer uma boa ocupação do território”, destacou o secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do MMA, Ney Maranhão.

 

A elaboração dos cenários é uma das etapas do Macrozoneamento Ecológico-Econômico (MacroZEE) do bioma e tem como objetivo identificar as tendências de comportamento futuro que condicionam o uso e ocupação do território. A principal finalidade do MacroZEE é orientar a tomada de decisões sobre iniciativas e ações governamentais na região, segundo Maranhão.

 

Secretários de Meio Ambiente dos 12 estados permeados pelo Cerrado, coordenadores de Zoneamento Ecológico-Econômico desses estados, integrantes da Comissão Executiva do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado (PPCerrado), povos indígenas, povos e comunidades tradicionais e movimentos sociais do campo, o setor industrial, o setor agropecuário, organizações não governamentais socioambientais e academia participam dos encontros, fazem sugestões e agregam conhecimento ao trabalho.

 

FRAGILIDADE

 

O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, abrangendo área de 2.036.448 km2, ou 22% do território brasileiro. A sua área contínua incide nos estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia, Paraná, São Paulo e Distrito Federal, além de trechos no Amapá, Roraima e Amazonas. Neste espaço territorial encontram-se as nascentes das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul (Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata), resultando em um elevado potencial aquífero, o que favorece sua rica biodiversidade.

 

Considerado como um hotspot (ponto ativo) mundial de biodiversidade, o Cerrado apresenta grande abundância de espécies endêmicas e sofre uma excepcional perda de habitat. Do ponto de vista da diversidade biológica, o Cerrado brasileiro é reconhecido como a savana mais rica do mundo por abrigar 11.627 espécies de plantas nativas já catalogadas. São 199 espécies de mamíferos conhecidos, além de 837 tipos de aves, 1.200 espécies de peixes, 180 de répteis e 150 de anfíbios. De acordo com estimativas recentes, o Cerrado é o refúgio de 13% das borboletas, 35% das abelhas e 23% dos cupins dos trópicos.

 

Apesar do reconhecimento de sua importância biológica, em relação a todos os hotspots mundiais, o Cerrado é o que possui a menor porcentagem de áreas sobre proteção integral. O bioma apresenta 8,21% de seu território legalmente protegido por unidades de conservação, sendo que, desse total, 2,85% são unidades de conservação de proteção integral e 5,36% são unidades de conservação de uso sustentável, incluindo Reserva Particular do Patrimônio Natural, as RPPNs (0,07%).

01-08-2014