Além de prejuízo ambiental, aterro está trincando casas



Uma semana depois de O Tempo Betim denunciar que o aterro sanitário do Citrolândia, apesar de ter sido fechado em 2011 pela ex-prefeita Maria do Carmo (MDC), continua causando prejuízos ao meio ambiente, a reportagem retornou ao local e constatou que moradores da região também estão sendo afetados pelo trabalho de retroescavadeiras que permanecem compactando os resíduos na área.

 

A proximidade entre as máquinas e as casas, que são separadas apenas por um muro, causa, dia a dia, trincas em paredes e em vidros. “As nossas casas tremem quando as máquinas estão ligadas. Quando chove então e depois vem o sol, a situação piora, pois o cheiro forte do gás do lixão sobe”, conta a dona de casa Maria Elizete Oliveira.

 

A situação é pior na casa do motorista Francisco Benício Riviera, que mora na rua Cassimiro de Abreu. Ele conta que, desde que se mudou para o imóvel, há 20 anos, várias reformas já foram feitas. “Eu já perdi a conta de quantas vezes já reformei a minha casa. Mas é tudo em vão. Com o tempo, as trincas reaparecem”, disse.

 

Os cômodos mais afetados na casa de Riviera são a cozinha e o banheiro, onde até as cerâmicas já começam a se desprender da parede. O motorista também reclama de mosquitos, ratos e baratas que invadem os imóveis. Por causa da situação, as residências desvalorizaram. “As casas daqui não são bem-avaliadas no mercado. Ninguém quer comprar. O aterro tem nos causado prejuízos”.

 

Já o pedreiro Otacílio Luiz disse sentir saudades de quando se mudou para o Citrolândia. “Na área onde hoje existe o aterro, havia muito verde. Com o passar dos anos, tudo foi destruído. Até os peixes que viviam nas lagoas da região morreram devido à contaminação causada pelo chorume (líquido de odor forte e de alto potencial de contaminação que é proveniente do lixo)”, destacou.

Sobre o perigo de explosão próximo às manilhas por onde os gases são eliminados, o pedreiro disse não ter medo. “Tenho consciência de que moro bem próximo a uma bomba atômica prestes a explodir a qualquer momento, mas isso não me assusta. Acho que o maior risco é para aqueles que trabalham catando entulhos e restos de alimentos na cava do aterro”.

 

Abandono

Na sexta-feira (6), uma semana depois de um operário morrer em uma explosão no aterro sanitário da Essencis, às margens da BR–381, a reportagem de O Tempo Betim denunciou uma situação de total abandono no aterro sanitário do Citrolândia, podendo-se provocar novos acidentes ambientais. Um rio de chorume está destruindo a vegetação da área, contaminando o solo, poluindo uma nascente e causando sérios riscos à saúde de moradores da região.

 

O problema estaria ocorrendo porque, conforme explicou a superintendente da Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda), Dalce Ricas, após o fechamento do aterro, seria necessário que os gases estivessem sendo tratados.

 

Resposta

A prefeitura informou que o aterro sanitário está recebendo manutenção por meio de um trator pequeno que fica a 350 metros das casas distância que impossibilita qualquer dano às residências. O Executivo ressaltou ainda que uma equipe técnica fará vistorias no local para averiguar as denúncias e que, após a conclusão desse levantamento, caso necessário, serão definidas as providências cabíveis para sanar os problemas.