Palestrante da Terça Ambiental alerta sobre irresponsabilidade do governo em relação às águas



Sete milésimos de centavos é o preço que as empresas pagam para despejar três litros de esgoto sem tratamento nos rios. Este foi um dos dados apresentados ontem (18) por Mauro da Costa Val, engenheiro civil e Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos, durante a primeira Terça Ambiental deste ano. A abertura da quarta temporada teve como tema Água: por que devemos conhecer?

 

Mauro focou sua palestra no valor do meio ambiente. "Para estabelecer o valor da natureza, devemos refletir acerca da natureza de nossa concepção de valor", destacou o engenheiro. O principal parâmetro da qualidade de um rio é o oxigênio dissolvido.

 

De acordo com Mauro, um peixe de 1 Kg respira 350 mg/hora de oxigênio dissolvido; enquanto um litro de esgoto sem tratamento retira 350 mg/L de oxigênio dissolvido. Ou seja, a cada litro de esgoto despejado irregularmente nas águas, um peixe é prejudicado. O oxigênio dissolvido retirado por 1.000 Kg de DBO - demanda biológica de oxigênio, ou seja, a quantidade de oxigênio consumida em determinado período de tempo - é suficiente para 119.048 peixes de um Kg respirarem por um dia. Para Mauro, estamos atrasados nessa questão de dar valor. "Desenvolvimento econômico não necessariamente pensa nos fatores ambientais", disse.

 

Baseado em um estudo de caso sobre a bacia do rio Paraopeba, Mauro explicou o cálculo para verificar o índice de uso de um rio, que é igual à divisão da soma das demandas e a disponibilidade de suas águas. Se o resultado for menor que 5%, pouca ou nenhuma atividade de gerenciamento é necessária, sendo a água considerada um bem livre e o índice excelente. Para resultado entre 5% e 10%, a situação é confortável e há eventual necessidade de gerenciamento para solução de problemas locais de abastecimento; entre 10% a 20% o caso já é preocupante: atividades de gerenciamento são indispensáveis, exigindo a realização de investimentos médicos; e entre 20% e 40% a situação é crítica, sendo necessário gerenciamento e grandes investimentos. Caso o resultado seja superior a 40%, o caso é muito crítico.

 

Ao final da palestra, Mauro fez um anúncio alarmante ao responder uma pergunta da plateia. Segundo ele, 100% dos lençóis freáticos das áreas urbanas já estão poluídos. "Quem faz política ambiental em Minas Gerais são grupos econômicos. É impressionante a irresponsabilidade do governo em relação às águas", lamentou.