Fábrica de bebidas provocou rompimento de adutora no Rio



Rio de Janeiro. O rompimento de uma adutora da Companhia Estadual de Água e Esgoto (Cedae) que deixou uma criança morta nessa terça-feira (30), em Campo Grande, na zona Oeste do Rio de Janeiro, foi causado pela fábrica de bebidas que fica ao lado do local do acidente, afirmou nesta quarta-feira (31) a delegada adjunta da 35ª DP Tatiene Damaris.

 

Segundo a delegada, as adutoras que passam pela região foram sinalizadas pela concessionária, com marcações que, inclusive, constam nas plantas da fábrica da Guaracamp. A delegada afirmou, contudo, que já não há mais registros relacionados às tubulações no local. Ainda de acordo com a polícia, nenhum veículo poderia passar na área sobre as adutoras, mas os caminhões da fábrica passavam pela área.

 

Os diretores da Guaracamp eram esperados na delegacia para depôr sobre o caso, mas não compareceram. Segundo Tatiane, se eles voltarem a não aparecer nessa quinta-feira (01), poderão ser indiciados por crime ambiental e homicídio culposo pela morte da menina Isabela Severo da Silva, 3, que foi enterrada nesta quarta-feira (31).

 

A delegada já havia dito que trabalhava com duas hipóteses para explicar o rompimento: acidente causado por uma obra de terraplanagem feita pela indústria de bebida ou reparo malfeito na tubulação, realizado pela própria Cedae. Tatiane afirmou que já foram ouvidos moradores e que ainda aguarda relatórios da Cedae.

 

A adutora se rompeu nessa terça-feira (30) e atingiu cerca de 200 casas. Segundo o Corpo de Bombeiros, 16 pessoas ficaram feridas.

 

Desde a manhã desta quarta-feira (31), os operários da Cedae e da Secretaria Municipal de Conservação trabalhavam na limpeza e na retirada do que restou das casas que foram destruídas. Muitos moradores tentam recuperar alguns pertences.

 

A comerciante Maria do Socorro Araújo, de 62 anos, teve a casa e uma pequena mercearia de onde tirava o sustento destruídas. Desolada, ela tentava contabilizar o prejuízo: cinco freezers e duas geladeiras, por exemplo, foram para o lixo. “Foi um desespero. Achei que ia morrer. Só consegui sair de casa com a ajuda de vizinhos”, disse ela, que está abrigada na casa de parentes.