Lixo hospitalar é ameaça à saúde da população de Divinópolis



Toneladas de lixo hospitalar que deveriam ser incineradas e que foram abandonadas em um galpão e em um lote vago em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, continuam no local onde foram encontradas, pondo em risco a saúde da população. Quase quatro meses depois de a situação irregular ter sido descoberta pela prefeitura, a empresa responsável pelo descarte nada fez para retirar o material. Segundo a assessoria da administração municipal, a responsabilidade é da empresa Ressol, sediada em Poços de Caldas, e que estaria operando de forma clandestina em Divinópolis, onde pretendia implantar uma unidade de incineração de dejetos. A prefeitura não autorizou a operação, mas isso não impediu o descarte do lixo hospitalar. O Ministério Público está investigando o caso.

 

 

O galpão, onde seringas usadas, agulhas velhas e remédios vencidos foram acumulados, foi descoberto em março. Segundo a gerente da Vigilância Sanitária, Andreia Dellarett, a Ressol foi notificada e os responsáveis se comprometeram a retirar todo o material e dar encaminhamento correto para ele. “Eles chegaram a enviar parte do material para Betim, onde a Via Solo, responsável pela coleta do lixo em Divinópolis, incinera o resíduo hospitalar. No entanto, agora estamos com dificuldade de entrar em contato com a empresa. Há pelo menos três semanas eles não retornam nossos telefonemas. Temos que pensar que aquele não é um lixo comum: ele traz sérios riscos para a saúde da população e para o meio ambiente”, afirma.

Em 22 de maio, mais uma ação irregular da Ressol foi descoberta na cidade: um lote, que fica perto do galpão, pegou fogo. No local, foi encontrada grande quantidade de lixo hospitalar. Ainda assustado com a atitude da empresa, o dono do imóvel, que prefere não ser identificado, conta que alugou o terreno para servir de estacionamento para a Ressol. “Disseram que precisavam de um lugar para guardar os caminhões. Não sabia que estavam jogando lixo lá. Como o lote é murado, ninguém que trabalha perto percebia”, diz.

 

 

Hoje, existem no município dois processos contra a empresa. De acordo com a diretora da Secretaria de Meio Ambiente, Sílvia Ribeiro, em uma dessas ações a Ressol foi multada em R$ 25 mil. “O município, inclusive, já entrou com processo de inclusão em dívida ativa contra a empresa e novas autuações serão feitas, uma vez que o material continua em local inadequado”, explica.

 

 

O Estado de Minas tentou entrar em contato com a empresa. No entanto não obteve êxito. Os telefones da Ressol não atendem e, em alguns casos, a companhia telefônica informa que os números não existem.