Descaso e poluição vêm à tona nas lagoas da Grande BH



Em Confins, a lagoa central está tomada por aguapés, planta aquática que se prolifera com a presença do esgoto. Próximo dali, em Vespasiano, há até restos de construção civil no único espelho d’água do município. Na vizinha Lagoa Santa, o principal cartão-postal da cidade padece com a água turva e o mau cheiro. Já na outra ponta da Grande BH, em Contagem e em Betim, apesar de a Várzea das Flores ser limpa e cristalina, lixo e especulação imobiliária degradam o entorno da represa.

 

A poluição provocada pela falta de investimentos públicos não é exclusividade da Pampulha, em Belo Horizonte, que sempre desperta atenção devido à péssima condição da água. Embora apresentem índices de contaminação inferiores aos do ponto turístico da capital, lagoas da região metropolitana também estão comprometidas. Problemas visíveis, como a proliferação de entulho, e outros alertados por especialistas, como a má qualidade das águas, ameaçam os locais.

 

Várzea das Flores

 

Durante dois dias, a reportagem do Hoje em Dia visitou cinco das principais lagoas da Grande BH. Construída num perímetro de 54 km e considerado importante reservatório de abastecimento de água para municípios da região metropolitana, a Várzea das Flores sofre com a falta de consciência ambiental. Por ser uma ótima opção de lazer, a represa está sempre lotada nos fins de semana, porém, os frequentadores insistem em deixar lixo espalhado pela orla.

 

Frequentadora do espaço desde criança, a aposentada Maria Dias Araújo, de 90 anos, lamenta a situação. Na última semana, ela estava na represa na companhia de parentes e amigos, em Betim. “É uma pena. As pessoas deveriam cuidar, porque, se continuar do jeito que está, um dia isso vai acabar”, disse.

 

Morador de Contagem, que abriga cerca de 85% da Várzea, o biólogo Diego Carvalho, de 45 anos, alerta que, apesar de a água apresentar boa qualidade, o lixo acumulado no entorno é um grande risco. Segundo ele, entulhos têm substâncias tóxicas que contaminam a água. “As construções irregulares que se proliferaram no entorno também são danosas”, aponta Carvalho.

 

Lixão

 

Só em Contagem, 640 toneladas de lixo são recolhidas por mês na orla da lagoa, informou a Secretaria de Obras e Limpeza Urbana. A limpeza é feita três vezes por semana. Uma parceria junto ao governo do Estado foi proposta para enfrentar as ocupações irregulares. Está em curso também a elaboração de uma ampla campanha de conscientização junto à população, destacou a administração municipal.

 

Já em Betim, por meio de nota, a assessoria de imprensa da prefeitura se limitou a informar que a limpeza do entorno da Várzea acontecerá a cada 30 dias, a partir deste mês. A próxima retirada de entulho está programada para os dias 15 e 16. De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente, são recolhidos cerca de 250 sacos de cem litros.