Oficina debate ações de combate à poluição na bacia do rio Paraopeba



Teve início nesta terça-feira (02/07), em Conselheiro Lafaiete, Capacitação de Gestores e Técnicos de municípios localizados na Bacia Hidrográfica do rio Paraopeba. Cerca de 100 pessoas participaram do primeiro dia de oficina, que tem como objetivos preparar os profissionais para o desenvolvimento de ações de combate à poluição e dos instrumentos de gestão dos recursos hídricos na bacia. A Oficina é uma das ações desenvolvidas no âmbito do Projeto Estratégico para Revitalização das bacias dos rios Doce, Paraopeba e outras bacias, coordenado pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam).O Secretário Executivo do Consórcio Intermunicipal da Bacia Hidrográfica do rio Paraopeba (Cibapar), Mauro da Costa Val, apresentou, na abertura dos trabalhos, diagnóstico e as diretrizes para a bacia, destacando os principais desafios com relação à demanda e a oferta de água, além das ações necessárias para o fortalecimento dos mecanismos para uso racional do recurso hídrico. “A bacia do rio Paraopeba apresenta problemas que precisam ser solucionados em integração com os diversos setores da sociedade. Além disso, a população da bacia precisa ser ouvida quanto às suas necessidades”, afirmou.

 

 

O monitoramento da qualidade das águas superficiais, realizado pelo Programa Água de Minas, do Igam, foi apresentado pela analista ambiental Regina Pimenta Assunção. De acordo com dados apresentados, 16 estados do Brasil e o Distrito Federal possuem rede de monitoramento das águas. Minas Gerais possui 585 estações de águas superficiais. “Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro são os estados que monitoram o maior número de parâmetros no Brasil, sendo que Minas é um dos quatro estados brasileiros a realizar o monitoramento trimestral”, disse.

 

Ao todo são monitoradas 17 bacias mineiras, sendo que na bacia do rio Paraopeba existem 33 estações de monitoramento, com coleta trimestral. Os resultados de 2012 revelam que na bacia, o índice de qualidade da água (IQA) permaneceu médio, sendo os piores trechos identificados no rio maranhão, abrangendo os municípios de Congonhas e Conselheiro Lafaiete. Ainda de acordo com os levantamentos, os fatores de maior pressão no alto curso da bacia são as atividades de agricultura, horticultura, esgoto sanitário, extração de argila, cerâmicas, mineração de ferro, extração de areia, tratamento de superfícies metálicas, siderurgia, laticínios e lavanderias industriais.

 

A analista apresentou, também, algumas ações que podem ser desenvolvidas para minimizar os problemas enfrentados na bacia, tais como o tratamento do esgoto pelos municípios, a utilização controlada de fertilizantes, o manejo adequado do solo, a recomposição de matas ciliares, o controle de processos erosivos, a utilização controlada de agrotóxicos, a disponibilização adequada de dos resíduos sólidos urbanos e o gerenciamento dos resíduos de atividades minerárias e industriais.

 

Para o vice-prefeito de Brumadinho e Presidente do Cibapar, Breno Carone, essas discussões com a sociedade são muito importantes. “Estamos ansiosos para que o Plano Diretor da bacia caminhe, queremos discutir com os municípios, pois cada localidade tem suas particularidades e esperamos que o Plano possa atender a todos”, frisou.

 

Os prefeitos de Cristiano Otoni, Carlos Alberto de Resende e de São Brás do Suaçuí, Elias Ribeiro de Souza, ressaltaram a importância da preservação das nascentes na bacia para a manutenção da quantidade e da qualidade das águas. “Essa mobilização do Estado junto aos municípios é um grande reforço que estamos recebendo. Acreditamos que a união de esforços e o trabalho realizado em conjunto poderão atender às demandas da sociedade na preservação da bacia”, afirmou o prefeito de São Brás do Suaçuí.

 

Uso múltiplo

 

Na parte da tarde os gestores e técnicos participaram de mesa redonda com o tema “Usos múltiplos e conflitos pelo uso da água”. A mesa foi composta por representantes da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), Sociedade Civil, representada pelo Instituto Fernandes Torres, empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater) e pelo Cibapar.

 

A oficina continua nesta quarta e quinta-feira, onde serão realizadas oficinas de elaboração do Plano Municipal de Saneamento e de capacitação para a implementação da gestão ambiental municipal de recursos hídricos.