Rios da região de Piracicaba têm déficit de 200 milhões de árvores

As 62 cidades que fazem parte das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) somam um déficit de 200 milhões de árvores em áreas de preservação permanente e de mata ciliar, conforme estimativa do Consórcio PCJ. "As ações avançaram nos últimos anos no interior paulista, mas ainda há muito o que fazer", disse o coordenador de projetos do consórcio, Guilherme Amstalden Valarini.

 

O número de árvores em falta foi calculado com base em um estudo realizado na bacia do Rio Corumbataí, onde o déficit de mudas chega a 20 milhões de exemplares. "Como a bacia do Corumbataí representa perto de 10% da bacia PCJ, fizemos o cálculo estimado para embasar ações e projetos de reflorestamento", afirmou o coordenador.

 

Criado há 20 anos, o Programa de Proteção aos Mananciais responde pelo plantio de cerca de 4 milhões de mudas às margens dos rios da região neste período. Para ampliar o projeto, o Consórcio PCJ tem atualmente parcerias com viveiros de 16 prefeituras (outras duas estão em negociação). Em 2007 eram apenas sete viveiros públicos conveniados.

Rios da região de Piracicaba têm déficit de 200 milhões de árvores (Foto: Divulgação/Consório PCJ)Plano Diretor de Reflorestamento será atualizado

e apontará as deficiências (Foto: Divulgação/PCJ)

 

Atualização

O consórcio prevê contratar ainda este ano a atualização do Plano Diretor de Reflorestamento da Bacia PCJ, que deve mapear a situação das matas ciliares levando em consideração as regras aprovadas pelo Código Florestal, lei que reduziu a exigência de áreas de preservação em propriedades pequenas.

 

Além das ações públicas e de entidades, Valarini destacou a participação da iniciativa privada em projetos de recuperação ambiental. Cada vez mais empresas, de acordo com ele, estão direcionando verbas de compensação e de licenciamentos para o plantio de mudas às margens dos rios.

 

"O importante não é apenas plantar, mas escolher as espécies nativas da região e acompanhar a área por pelo menos dois anos. Caso contrário, o investimento pode ser em vão", afirmou o coordenador de projetos. De acordo com ele, uma área correspondente a um campo de futebol de mata ciliar "segura" 25 milhões de litros de água em um período de um ano.

 

Sem a proteção florestal, esse montante de água iria direto para os rios, carregando sedimentos e agrotóxicos prejudiciais para o abastecimento urbano e para a irrigação de lavouras. A bacia PCJ é formada por 58 cidades paulistas e 4 mineiras. No ano passado, o consórcio acompanhou 277 projetos de reflorestamento nestes municípios.