Acidente em hidrovia causa prejuízo de R$ 12 milhões

O transporte de soja está parado na hidrovia Tietê-Paraná em razão da interdição de um trecho do rio Tietê, na altura de Araçatuba (SP), desde sexta-feira (22), quando uma embarcação da Mepla Comércio e Navegação Ltda, carregada com 5,2 mil toneladas de soja, saiu da rota e bateu numa torre de linha de transmissão de energia elétrica. A torre, de 20 metros de altura, instalada numa plataforma no leito do rio, a 350 metros de distância da rota de navegação, caiu e levou os cabos de alta voltagem (440 KV) para dentro da água. Outras cinco torres foram danificadas em terra firme, três delas se retorceram e vieram ao chão.

 

Desde então, 13 comboios, com 52 barcaças, estão parados ao longo do trecho, entre a hidrelétrica de Nova Avanhandava e o reservatório de Três Irmãos. Seis comboios com 36 mil toneladas de soja seguiam para o terminal de Pederneiras, de onde a carga seria embarcada via ferroviária para o Porto de Santos. Outras quatro barcaças carregadas com seis mil toneladas de madeira estão paradas no sentido inverso, com destino ao polo industrial de Três Lagoas (MS). A madeira seria usada na fabricação de celulose. Outros seis comboios, com 24 barcaças vazias, também aguardam para seguir viagem com destino a São Simão (GO), onde novos carregamentos de soja seriam realizados. As companhias de navegação calculam prejuízos de mais de R$ 12 milhões.

 

As empresas mais prejudicadas, além da Mepla, são a Torque e a Louis Dreyfus Commoditie (DLC). O proprietário da Torque, Pedro Burin, não quis comentar o acidente ou falar dos prejuízos, mas funcionários das companhias disseram que cada barcaça transporta o equivalente a US$ 290 mil em soja e se essas barcaças deixarem de transportar soja por cinco dias, o prejuízo deve superar os US$ 6 milhões (R$ 12 milhões).

 

No entanto, para Casemiro Tércio Carvalho, diretor do Departamento Hidroviário, o prejuízo pode ser ainda maior, porque 100 mil toneladas deixarão de serem transportadas pela hidrovia até o dia 03 de abril, data em que a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep) pretende concluir os trabalhos de reparação das torres e liberar a hidrovia. "Este é o volume de soja que seria transportado pela hidrovia, mas por causa da interdição deverá agora ser transportada por rodovia", afirmou. Se isso se confirmar, os prejuízos podem até triplicar. "Ainda há outros fatores como o uso de modal mais caro, além dos custos com o tempo em que a soja deverá permanecer no porto e os atrasos nos contratos de entrega", completou.

 

De acordo com Carvalho, a Mepla acionou o seguro e deverá responder pelo ocorrido junto à Capitania dos Portos. Segundo ele, o acidente poderia ter sido evitado se a embarcação estivesse usando um radar. O condutor, ao ser ouvido pela Marinha, disse que o nevoeiro o atrapalhou e ele não viu as boias que delimitam a hidrovia, saindo 350 metros da rota e batendo contra a torre. O inquérito vai apurar se a causa foi erro humano ou se as condições do tempo influenciaram.

 

A Cteep divulgou nota dizendo que, apesar dos estragos - que causaram um prejuízo de R$ 25 milhões -, o acidente não causou falta de energia elétrica porque a transmissão foi desligada automaticamente pelo Operador do Sistema. Segundo a nota, a linha, de dois circuitos, conecta a usina de Ilha Solteira à subestação de Bauru (SP). Segundo a Cteep, a expectativa é de que o primeiro circuito esteja recuperado dia 1º de abril e o segundo, dia 6. Já a liberação da hidrovia deve ocorrer no dia 3, dependendo das condições climáticas e do grau de dificuldade para tração dos cabos.