Belo Horizonte registra duas vitórias ambientais

Duas boas notícias para os defensores da natureza. A Prefeitura de Belo Horizonte vai investir mais no Parque Ecológico do Brejinho, na região da Pampulha. Ele ficou abandonado por dois anos, depois de concluídos, em 2011, investimentos previstos no Orçamento Participativo de 2006. A prefeitura gastou aproximadamente R$ 2,3 milhões para fazer desapropriações e construir cercas e uma portaria que nunca serviu às suas finalidades e que mostra sinais de depredação.

 

Esse parque fica nos limites dos bairros São Francisco e Indaiá. Nasceu em 2007, como resultado de um movimento popular que contou com forte apoio da UFMG, por meio do projeto Manuelzão. Um dos objetivos de sua criação foi a proteção da área de nascentes do córrego São Francisco, que faz parte da Bacia Hidrográfica do Ribeirão do Onça, um dos afluentes do Rio das Velhas. Mas não se restringia a isso. Deveria ter funções sociais, culturais, educacionais e de lazer, também igualmente importantes.

 

Finalmente, a prefeitura parece decidida a dar ao parque condições para cumprir essas funções. Acaba de abrir licitação para iniciar o processo de elaboração do projeto paisagístico e urbanístico do Brejinho. Espera-se que entre a intenção e a realização não demore muito mais tempo e que o dinheiro a ser gasto não ultrapasse o limite do razoável.

 

A outra boa notícia vem de Nova Lima, na Região Metropolitana. A prefeitura acatou recomendação da Promotoria de Justiça do município e da Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais e resolveu promover o tombamento da Serra do Souza, que fica às margens da rodovia MG-030, visando à preservação permanente de uma área verde ameaçada pela especulação imobiliária.

 

Estará defendendo também a paisagem natural, que é um patrimônio artístico e cultural. É necessário resistir a mais devastações na paisagem e nos monumentos naturais da Zona Metalúrgica, rica em minério de ferro e, sobretudo – um aspecto que costuma ser esquecido –, rica em pessoas que não podem continuar perdendo qualidade de vida. Esta se encontra intrinsecamente ligada ao meio ambiente preservado.

 

O tombamento é considerado o instrumento mais eficaz para a proteção de um bem como a Serra do Souza. É um instrumento disponível desde 1937, por meio do Decreto-Lei nº 25, mas raramente tem salvado da devastação as serras mineiras ricas em minérios, mesmo aquelas notáveis também por suas nascentes de água.