IMA confirma descarte irregular de embalagens de agrotóxico na barragem da Copasa em Rio Manso

Em vistoria realizada ontem (06), o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) confirmou denúncia da Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda) relativa à degradação ambiental da barragem de Rio Manso, da Copasa, responsável pelo abastecimento de 28% da população da RMBH. Acompanhada pelo Coordenador das Brigadas de Combate a Incêndios da Amda, Fabrício Gato, militante da entidade ambientalista, os técnicos constataram dezenas de embalagens de agrotóxicos jogadas nas margens e beira da represa.

 

 

 

De acordo com Fabrício, os técnicos do IMA informaram que a Copasa será oficiada a retirar as embalagens em sua área e entregá-las nos postos de recebimento de recipientes de agrotóxicos, podendo ser autuada e multada, caso descumpra a intimação. Ele ressalta ainda os riscos do despejo dessas embalagens que são descartadas contendo restos do produto: "somando o resto de veneno que fica em cada embalagem, o total pode causar contaminação da água, do solo e ocasionar mortandade de peixes", alerta.

 

 

 

Dalce Ricas, superintendente executiva da Amda, vê no fato mais um grave exemplo da fragilidade da política ambiental em Minas e da postura ineficiente da Copasa, no que se refere à proteção dos mananciais sob sua responsabilidade. "Chega a ser engraçado ver uma instituição governamental notificar a outra por degradação ambiental, ainda mais em se tratando da Copasa, cuja missão é fornecer água potável à população. Isso nunca deveria ser necessário, mas vai continuar enquanto o governo não entender e decidir que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) sozinha não faz política ambiental", ironiza.

 

A situação precária de manutenção do manancial vem sendo denunciada pela Amda desde o final de 2012. Cercas estragadas, presença de gados e cavalos que pisoteiam as margens e defecam dentro da água, restos de animais abatidos de forma cruel e ilegal, cadáveres de porcos mortos por caçadores e jogados no entorno da barragem e muito lixo que, dependendo do vento, chega a formar pequenas ilhas flutuantes em suas margens.

 

A barragem está localizada dentro de uma área de 9.000 hectares, de propriedade da Copasa, coberta por florestas de transição entre Cerrado e Mata Atlântica, que abriga diversas espécies de animais silvestres, inclusive algumas ameaçadas de extinção. Caçadores, fogo e a crescente e desordenada ocupação do entorno do reservatório por atividades agrícolas utilizadoras de agrotóxicos e residências de finais de semana são as maiores ameaças sobre os mesmos. Os funcionários que a empresa mantém no local não têm sequer equipamentos para combate a incêndios. Além disso, segundo o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba (CBH), a área também é ameaçada pela atividade minerária na Serra do Itatiaiuçu.

 

A entidade espera que a Copasa, que conseguiu licença corretiva do Copam em julho de 2010, mude sua postura e adote medidas para proteção da barragem e de seu entorno.

 

Em anexo, fotos feitas no local por técnicos da Amda.