Várzea das Flores: ponto turístico ameaçado

Lixo, construções irregulares e até desova de corpos. É essa a situação encontrada por visitantes da lagoa Várzea das Flores - um dos principais pontos turísticos da cidade e importante reservatório de abastecimento de água para municípios da região metropolitana de Belo Horizonte, entre eles Betim. Os problemas preocupam especialistas em meio ambiente, além da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. Eles afirmam que a represa está ameaçada.

A situação da adutora se agravou ao longo dos últimos anos, depois que a população do entorno descobriu que o local poderia ser usado também como uma ótima opção de lazer. Desde então, a falta de consciência ambiental de alguns frequentadores, que deixam lixo espalhado por toda a orla, tem comprometido a qualidade da água e colocado em risco a vida dos peixes.

"É preciso ter responsabilidade com o meio ambiente. O lixo contém um monte de substâncias tóxicas que, na água, geram eutrofização - fenômeno causado pelo excesso de nutrientes, provocando um aumento excessivo de algas", explica o coordenador do curso de ciências biológicas da PUC Betim, Henrique Paprocki. Ele completa: "Esse é um ecossistema alterado e, sem dúvida, está ameaçado".

Na última segunda-feira (25), O Tempo Betim encontrou, às margens da lagoa, garrafas pet, de vidro, copos e pratos descartáveis, além de carvão e até fraldas. Havia lixo nos principais pontos abertos à visitação. "A lagoa sempre fica assim nos fins de semana. Muitos frequentadores trazem lanche, utilizam várias embalagens plásticas e, em vez de retornarem com o lixo, deixam tudo espalhado pelo chão", conta a moradora da região Maria Francisca.

Segundo o subtenente da Polícia Militar Ambiental, Marcelo Marques, a fiscalização na lagoa é intensificada em dias de maior movimento, como feriados e fins de semana. Sobre os resíduos sólidos às margens do local, o militar informou que, em casos de flagrante, a pena administrativa pode chegar a até R$ 2.500. "O lixo pode comprometer a qualidade da água e prejudicar a Copasa a fazer um tratamento adequado".

Além do lixo

O subtenente também alerta para os riscos das construções irregulares às margens da lagoa. "A Várzea tem uma área de proteção ambiental que, se afetada, pode causar danos irreversíveis. É preciso que as autoridades competentes barrem os processos de loteamento irregular. Além disso, as construções devem respeitar o novo Código Florestal, que prevê que as casas devem estar a um mínimo de 50 metros da margem".

Outro problema é que o ponto turístico virou local para desova de corpos. Só no ano passado, 11 vítimas de assassinato foram encontradas próximo à lagoa.

Sobre a insegurança no local, o capitão Alisson Santos, da 188 Cia. da Polícia Militar, responsável pelo patrulhamento na região da lagoa, informou que a falta de iluminação pública e de pavimentação asfáltica no local dificulta o trabalho dos militares. "É preciso que haja uma obra de infraestrutura no entorno da lagoa. Por ser um local ermo, os criminosos cometem o homicídio em outras áreas e abandonam os corpos das vítimas lá", enfatiza.