Definida área de preservação na serra do Gandarela

A área de preservação ambiental na serra do Gandarela, na região Central do Estado, terá cerca de 36 mil hectares, divididos em uma Parque Nacional e uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS), informa o presidente do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio), Roberto Ricardo Vizentin. A entidade chegou ao consenso sobre os limites do parque, viabilizando a instalação do projeto Apolo da Vale S/A, e deverá apresentá-los aos ambientalistas em Minas Gerais antes de prosseguir com o processo de criação.

 

De acordo com o presidente do ICMBio, inicialmente estava prevista a implantação do Parque Nacional das Águas do Gandarela em uma área de 35 mil hectares. Com as modificações, o parque terá 26,6 mil hectares e cerca de 9 mil hectares foram transformados em RDS.

 

Além disso, segundo o presidente do instituto, serão 2,8 mil hectares de cangas protegidas com a criação da área de preservação ambiental. "Inicialmente estavam previstos 2,7 mil hectares", afirma.

 

Ele explica que a RDS permitirá a continuidade de atividades econômicas tradicionais da região, como, por exemplo, a exploração da Candeia, árvore que serve de insumo na produção de cosméticos, agricultura de subsistência e apicultura. "Boa parte da áreas ocupada pelas população local seria afetada pelo parque", diz.

 

Vizentin afirma que com a criação dessas reservas especiais não haverá necessidade de desapropriação nas áreas da RDS, reduzindo o passivo gerado com a criação da área de preservação ambiental.

 

Outro ponto importante na criação do parque nacional é a instalação do projeto Apolo. Uma das preocupações, segundo o presidente da entidade, é uma área que será utilizada para a instalação das barragens de rejeito e a futura ampliação da cava. Há a preocupação que estas represas impactem os recursos hídricos, uma vez que estão próximo ao ribeirão do Prata.

 

Segundo ele, foi realizado um estudo sobre a localização das represas. Porém, os técnicos chegaram à conclusão que a área que consta no projeto da Vale é a melhor para a implantação das barragens e será mantida no escopo.

 

 

Finalização - Vizentin explica que o projeto já foi enviado ao Ministério de Meio Ambiente (MMA), porém, o documento passará pelas alterações finais. Antes disso, porém, o ICMBio pretende apresentar os limites da área de preservação para os ambientalistas em Minas Gerais. "Queremos mostrar para o movimento que a proposta final não compromete nosso objetivo", diz.

 

Em meio às tratativas, os governos federal e estadual, além de as empresas chegaram ao acordo que haverá investimento privado na implantação do parque. Os aportes na infraestrutura serão de, pelo menos, R$ 10 milhões. "A Vale repassará áreas ao ICMBio e está disposta também a indenizar alguns proprietários na região", afirma.

 

A Vale chegou a iniciar o processo de licenciamento ambiental do projeto Apolo, mas com o projeto de implantação do parque ainda em avaliação, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) não analisou a licença do complexo minerário.

 

As operações na mina Apolo estavam previstas inicialmente para serem iniciadas em 2014. O complexo, com investimentos estimados em R$ 4 bilhões terá capacidade de 24 milhões de toneladas de minério de ferro/ano. Como parte do projeto também serão instalados uma usina de beneficiamento, oficinas, pilhas de estéril, pátio de produtos, escritórios e outras instalações. Além disso, será viabilizado um novo ramal ferroviário.