Afluentes da Lagoa da Pampulha têm papel fundamental na poluição do espelho d'água

A poluição da Lagoa da Pampulha, principal cartão postal da capital mineira, é causada também pelos dejetos que chegam de seus afluentes. Os dois principais alimentadores do espelho d'água de Belo Horizonte, os ribeirões Sarandi e Ressaca, tem papel fundamental nessa sujeira. Suas nascentes nascem cristalinas, mas, logo adiante, recebem resíduos domésticos de residências e indústrias com metais pesados, restos de óleo diesel, gasolina e pó de asfalto, além de garrafas pet e animais mortos.

A Estação de Tratamento de Água Fluvial da Copasa retira uma média de seis toneladas de lixo por dia da Lagoa da Pampulha. Em dias de chuva, esse número pode atingir até dez toneladas, de acordo com Eugênio Silva, superintendente de Tratamento dos Efluentes da empresa. Segundo ele, são necessários investimentos da ordem de R$180 milhões para despoluição e construção de interceptadores de esgoto. Silva afirma que, no fim de 2013, a Lagoa estará limpa.

Conforme reportagem do jornal Hoje em Dia, a prefeitura de Contagem, principal fonte de poluição da Lagoa da Pampulha, se comprometeu a reverter a situação. Em parceria com a Copasa e a prefeitura de Belo Horizonte, desde o ano passado está valendo o projeto Meta 2014 que, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), prevê a conclusão das obras de esgotamento sanitário para a despoluição da bacia da Pampulha. Ainda de acordo com o jornal, o investimento total anunciado é de R$ 105 milhões, dos quais R$ 70 milhões deverão ser aplicados em obras em Contagem e o restante, na capital mineira.

Igam

Laudo do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), referente aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2012, apontou que em 26 estações nos mananciais da Lagoa da Pampulha, o reservatório apresentou, em todos os exemplares, níveis de coliformes fecais (presentes no esgoto doméstico) acima do tolerado pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). No levantamento de 2011, os coliformes estavam presentes em 92% das estações, sendo que em 2010 eram 87%.

Desde 2007, em todos estudos realizados o índice de qualidade da água da Pampulha jamais mereceu a classificação "excelente". O nível considerado "bom" virtualmente desapareceu: caiu de 4% em 2011 para zero no ano passado. Somados, os níveis "ruim" e "muito ruim" também tiveram queda, de 75% para 65%.