Excesso de esgoto afeta estação em Nova Lima

Depois de pouco tempo de atividade, a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Vale do Sereno, em Nova Lima, já precisa ser ampliada. A explosão demográfica de uma das áreas mais visadas da Região Metropolitana de Belo Horizonte repercutiu na carga de esgotamento sanitário e a unidade, que foi criada com projeção de expansão apenas para 2020, terá de ser ampliada em bem menos tempo. A expectativa é de conclusão da segunda etapa já nos próximos dois anos. Isso porque a estrutura já opera bem acima da capacidade para a qual foi projetada.

 De acordo com o superintendente de Serviços e Tratamento de Efluentes da Copasa, Eugênio Álvares de Lima, a estação foi instalada no início do ano passado, para suportar vazão média de 32 litros por segundo. Um ano e meio depois, tem registrado picos de 42 litros/s. “Nesse período houve uma explosão demográfica. A ETE foi instalada para atender até 30 mil habitantes, mas o volume que temos recebido indica que a população já está em torno de pelo menos 40 mil”, afirmou.

 A realidade serão conhecida em detalhes depois de finalizado o plano diretor da região, que vai orientar a ampliação da ETE. “O plano diretor de Nova Lima dizia que, ali, haveria unidades unifamiliares. De repente, a construção de prédios tomou conta do local”, disse. A reforma da ETE deverá ampliar a capacidade de recebimento e tratamento de rejeitos. A sobrecarga é um dos principais motivos, segundo Lima, para o odor insuportável denunciado pelos moradores.

Ele relata que a situação pode ser mais crítica nos horários de pico da liberação do esgoto doméstico, das 10h às 13h e das 17h às 19h. “Quando a ETE está operando com capacidade acima do projetado, o tempo de detenção, ou seja, o período que as bactérias têm para consumir a matéria orgânica, que é o próprio esgoto, é insuficiente. Assim, o material passa sem ser digerido, isto é, tratado”, explica.

 Eugênio Lima relata que o mau cheiro, percebido por causa do gás sulfídrico (H2S) e característico do tratamento, pode ocorrer em três situações. Além da sobrecarga, pode ocorrer também no início da operação de uma ETE. O processo é totalmente biológico e consiste em aproveitar as próprias bactérias dos excrementos para tratar o esgoto. O máximo de intervenção é o estímulo à proliferação dos micro-organismos, para tratar os efluentes mais rápido. Nesse processo primário é formada uma massa biológica que consome o esgoto. Como no início há poucas bactérias, não ocorre a digestão de todas a matéria orgânica, que apodrece e libera odor.

“O tempo de formação de colônia é de 120 a 180 dias, por isso, nos primeiros seis meses, com certeza o cheiro exalado naquela região se deveu a isso”, afirmou o superintendente. Mas, passada essa fase, o odor tem tratamento. Na ETE do Vale do Sereno, ele é feito com filtros biológicos, constituídos de carvão, que removem o mau cheiro.

 A terceira situação se deve ao descarte inadequado. “Há muita empresa de gesso e cimento no Vale do Sereno. Quando chega uma carga poluidora química ou biológica, a estação não aguenta. Esse material mata parte da massa biológica, que vai demorar 15 dias para se recuperar, gerando odor”, explica.

Velhas

 O esgoto de Nova Lima não é um problema só do Vale do Sereno. A falta de tratamento dos efluentes da cidade tem efeitos muito mais amplos, interferindo até mesmo no projeto de revitalização do Rio das Velhas, segundo Eugênio Lima. Ao lado do município, Sabará, na região metropolitana, e Sete Lagoas, na Região Central, também prejudicam o projeto. “Não adianta gastarmos R$ 180 milhões no Velhas e R$ 102 para a recuperação da Lagoa da Pampulha se os esgotos desses lugares continuam chegando”, disse.