Sem projeto, BH não atingirá meta para a coleta seletiva

Belo Horizonte anda na contramão quando o assunto é reciclagem de lixo. A Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) reconhece que não vai conseguir atingir a meta do país de não aterrar nenhum tipo de material reciclável a partir de 2014, conforme manda a Lei Federal 12.305/10.

Atualmente, das 1,8 milhão de toneladas de lixo produzidas todos os anos na cidade, apenas 10 mil (0,54%) vão para a reciclagem. O sistema de coleta seletiva, por sua vez, beneficia apenas 15% da população da capital: 354 mil pessoas, num universo de 2,3 milhões de habitantes.

Além do fim dos lixões, a lei federal determina a implantação do serviço de coleta seletiva em 100% das cidades brasileiras em 2014. Mas, segundo a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), Belo Horizonte e outros 759 municípios no Estado ainda não definiram o cronograma para cumprir as duas principais metas da Política Nacional de Resíduos Sólidos. O prazo vence no próximo dia 2.

"Não vamos conseguir ter coleta seletiva em toda a cidade até 2014. Os recursos são escassos. Temos que cuidar da saúde pública primeiro. Não adianta comprar uma TV de LED se eu preciso de um telhado. Essa é uma meta muito arrojada para o Brasil", explicou a chefe do Departamento de Programas Especiais da SLU, Aurora Perdezolli. Belo Horizonte investe atualmente cerca de R$ 319 milhões em tratamento de lixo. O gasto inclui todo o orçamento da SLU.

Sem o Plano Municipal de Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos, os municípios não recebem repasses federais para a regularização do descarte do lixo e ainda podem ser multados. Segundo Aurora Perdezolli, só após a eleição de outubro, quando a cidade terá acumulado um atraso de dois anos em relação à lei, a prefeitura pretende contratar a empresa que irá elaborar o projeto municipal.

Alto custo. A chefe de programas especiais disse que os altos custos têm inviabilizado a ampliação do serviço de coleta seletiva. Oferecido em 30 dos 300 bairros da cidade, o serviço porta a porta custa R$ 187 por tonelada de lixo recolhida. No tipo comum, o custo é menor: R$ 110. Já o recolhimento nos Locais de Entrega Voluntária (LEVs) - contêineres coloridos para depósito de material reciclável - é ainda mais caro: são R$ 309 a tonelada.

Para a presidente da Associação dos Catadores de Material Reciclável (Asmare), Maria das Graças Marçal, conhecida como dona Geralda, esse é um caro que sairá muito barato no futuro. "Esse é um trabalho muito importante. Estamos fazendo isso pelas próximas gerações".