Prevenir para não remediar

O número de focos de calor em Minas Gerais aumentou 42,6% em 2012 em relação a 2011, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Do primeiro dia deste ano até ontem, foram registrados 547 focos, contra os 314 no mesmo período do ano passado. O dado deve servir de alerta, já que em 2011 as queimadas se alastraram pelo estado e atingiram a marca histórica de 63,4 mil hectares de área verde incendiados em unidades de conservação e seu entorno, segundo informações da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad).

Para tentar evitar que a situação crítica de 2011 se repita, o governo estadual lançou ontem o Plano de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais de 2012. O programa deve receber R$ 26 milhões, quase seis vezes mais que os R$ 4,5 milhões do orçamento de 2011 e mais de quatro vezes os R$ 6 milhões de 2010. O principal objetivo é reduzir a incidência de queimadas nas 75 unidades de conservação existentes em Minas Gerais, que incluem parques e áreas de proteção ambiental.

“Em 2011 a Região Metropolitana de Belo Horizonte passou cinco meses sem uma gota de chuva, de maio a setembro. Isso aconteceu pelo estado afora. Neste ano, preparamos um projeto mais amplo, mais ambicioso”, discursou o governador Antonio Anastasia (PSDB), na cerimônia de lançamento do programa. “O incêndio vai ocorrer, mas é preciso diminuir o efeito dele ainda no início, cortar o mal pela raiz”, acrescentou.

Os R$ 26 milhões do orçamento se distribuem por seis eixos operacionais: prevenção e controle; capacitação; combate; infraestrutura e logística; comunicação; e fiscalização e investigação. Cerca de R$ 2 milhões devem ser empregados em obras de prevenção, como a construção de aceiros para isolar a floresta de áreas de risco, entre as quais, as pastagens, que costumam ser queimadas para darem lugar a novas plantações. “Em 90% dos casos, os incêndios são gerados pela ação criminosa de pessoas inescrupulosas”, destacou Anastasia.

ROLA MOÇA Por meio de um decreto assinado ontem, o governador determinou a criação de mais uma sub-base de operação da força-tarefa de prevenção e combate a incêndios, formada por brigadistas voluntários e funcionários de seis órgãos: Semad, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil, Coordenadoria Estadual de Defesa Civil e Instituto Estadual de Florestas.

A nova sub-base da força-tarefa, cuja base central em Curvelo, Norte de Minas, será instalada na Adjuntoria de Emergência Ambiental dos Bombeiros, no Parque Estadual Serra do Rola Moça, em Belo Horizonte. Em 2011, os incêndios destruíram quase 90% dessa unidade de conservação, uma das principais áreas de preservação ambiental no estado.

Segundo o secretário estadual de Meio Ambiente, Adriano Magalhães, além dos R$ 26 milhões destinado ao plano, mais R$ 9 milhões devem ser investidos pela iniciativa privada, que firmou termos de cooperação com a Semad. “Já tínhamos investido R$ 17 milhões na contratação de empresas terceirizadas para reforçarem a força tarefa. No total, somamos um investimento superior a R$ 50 milhões na prevenção e no combate a incêndios”, aponta Magalhães.

Apesar do investimento, o chefe da Adjuntoria de Emergências Ambientais dos Bombeiros, tenente Cléber Ribeiro de Carvalho, alerta as autoridades: “No início do ano passado, choveu mais do que nos primeiros meses deste ano. Vamos ter um período de estiagem superior em 2012. É provável que o número de incêndios aumente.”