País tem que investir R$ 22,2 bi até 2025 para não faltar água

O desequilíbrio na distribuição de recursos hídricos no Brasil é gritante: enquanto a região Norte reúne 8% da população brasileira e possui 68% da água no país, a região Sudeste, ocupada por 45% da população, com cidades densamente povoadas, conta com apenas 8% de toda a água brasileira. Isso significa que, enquanto no Norte há muita água para pouca gente, no Sudeste há muita gente para pouca água.

E a situação tende a piorar, segundo um amplo estudo da gestão de recursos hídricos brasileiros feito pela Agência Nacional das Águas (ANA), em parceria com governos estaduais e municipais de todo o país. Só em Minas Gerais, por exemplo, o levantamento indica que metade dos municípios precisa de investimentos em infraestrutura para garantir o abastecimento satisfatório das demandas estimadas para o futuro próximo. O relatório da ANA afirma, ainda, que serão necessários cerca de R$ 890,3 milhões para que não falte água à população no Estado até 2025. No Brasil, o investimento necessário é de R$ 22,23 bilhões.

Para o superintendente adjunto de recursos hídricos da agência, Sérgio Ayrimoraes, Minas não é o único Estado a precisar de investimentos pesados. Segundo o especialista em recursos hídricos, 55% dos municípios brasileiros vão precisar de investimentos nas redes de abastecimento até 2025.

Segundo Ayrimoraes, não existe um grande projeto nacional de modificação da rede de abastecimento ou de transposição que vise a diminuir o contraste entre a concentração de população e o fornecimento de água das regiões Norte e Sudeste. "As duas regiões têm capacidades de abastecimento total, apesar da grande diferença de disponibilidade de água. O que deve ser feito para evitar o colapso é a simples gestão inteligente dos recursos hídricos regionais".

O estudo também fez o levantamento das melhores formas de investimentos para melhorias na infraestrutura. Contudo, segundo o superintendente da ANA, além das políticas de investimento público na criação de novos mananciais ou na melhoria das infraestruturas já existentes, é de suma importância que a população seja educada em relação ao uso consciente e inteligente dos recursos hídricos.

 Belo Horizonte

Capital celebra Dia Mundial da Água
O Dia Mundial da Água foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1992. A ideia era instituir a data como uma oportunidade de promover a conscientização pública sobre as demandas e a – cada vez mais escassa – oferta de água. Na data, várias cidades do mundo recebem atividades relacionadas à conservação e desenvolvimento dos recursos hídricos e a implementação das recomendações proposta pela Agenda 21, de cunho ambientalista.

Neste ano, com a mobilização, as Nações Unidas buscam apresentar à sociedade assuntos relacionados a problemas de abastecimento de água potável, conservação, preservação e proteção da água, além de promover o reconhecimento do valor ambiental do recurso.

Em Belo Horizonte, em comemoração à data, o Museu do Conhecimento, da UFMG, na praça da Liberdade, recebe uma programação especial com palestras e conferências sobre a água. A programação temática conta com visitas guiadas às 11h30 e às 19h.

Além disso, a praça da Liberdade recebe a Associação Mineira de Defesa do Ambiente, com explicações e jarros ilustrativos que exemplificam a água limpa e a suja. (LA)

Desperdício

Educação. Segundo o especialista em gestão de recursos hídricos Sérgio Ayrimoraes, o desperdício é um problema social, mas também é causado pelas empresas que fazem a gestão dos recursos hídricos, pois muita água se perde no fornecimento.