Obras da transposição do São Francisco apresentam problemas e atrasos

Rachaduras em trechos da transposição do Rio São Francisco denunciam paralisação da obra, uma das mais divulgadas do Programa de Aceleração do Crescimento. Os danos foram observados no concreto dos canais próximos ao município de Custódia, em Pernambuco. Os canais degradados terão de ser refeitos e o Ministério da Integração Nacional anunciou que a responsabilidade da reconstrução é das construtoras.

 A obra do canal Eixo Leste, que tem 287 km, foi iniciada em agosto de 2007 e tinha como prazo de conclusão o final deste ano. Atualmente, apenas 71% da obra foi realizada. Com o atraso, a nova previsão de término é dezembro de 2014. Já o Eixo Norte, que percorrerá 426 km de Cabrobó, em Pernambuco, ao Ceará, apresenta 46% da obra concluída. A nova previsão de conclusão é dezembro de 2015. Também há denúncias de atrasos nas obras de revitalização de regiões já cortadas pelo São Francisco.

 Em 2010, o custo estimado do conjunto de obras era de R$ 5,04 bilhões. Em agosto do ano passado, no entanto, o Ministério anunciou que o investimento ficaria 36% mais caro, passando para R$ 6,85 bilhões. Segundo o sociólogo e coordenador da Articulação São Francisco Vivo, Ruben Siqueira, a transposição é uma obra da indústria da seca: “Há séculos constroem-se grandes obras no Nordeste para resolver o problema das secas, mas na verdade estas obras são ralos do dinheiro público”.