Vão ao chão nove árvores que ameaçavam pedestres

A Prefeitura de Belo Horizonte deu início ontem ao corte de nove árvores que estavam pendendo sobre a calçada da Avenida Afonso Pena, ao lado do Parque Municipal Américo Renné Giannetti, no Centro da capital. Quem passava pelo local manteve olhar atento ao trabalho e pôde acompanhar a supressão dos espécimes que colocavam em risco a segurança das milhares de pessoas que passam por ali diariamente.

O corte ocorreu 35 dias depois da queda de um jatobá que atingiu e matou a secretária Maria de Fátima Ferreira, de 57 anos. Na Rua da Bahia, Avenida dos Andradas e Alameda Ezequiel Dias, onde também há árvores marcadas com fitas vermelhas indicativas de corte, o perigo ainda persiste, pois muitas delas estão projetadas para o lado de fora das grades do parque.

Das 300 espécies reprovadas pelo levantamento sobre a 'saúde' das árvores feito por uma equipe de técnicos, biólogos, engenheiros agrônomos e florestais, cerca de 110 ainda não foram suprimidas. Com isso, quem visita ou simplesmente passa pelo parque ainda vai ter que esperar pelo menos mais 45 dias para voltar ao local. De acordo com o presidente da Fundação de Parques Municipais de Belo Horizonte (FPM), Luiz Gustavo Fortini, a previsão é que somente no fim de março o 'municipal' volte a abrir seus portões para a população.

Notícia que foi motivo de tristeza para o autônomo Américo Wolfgram, de 56. "Poderiam ter evitado a morte de uma pessoa e o fechamento do parque se tivessem feito esse trabalho com antecedência. Passo pelo parque quase todos os dias. É um lugar agradável para a gente que está no Centro. Além da área verde, tem água e banheiro público. Estou ansioso para que ele volte a ser aberto", disse.

Também insatisfeita com o fechamento, a estudante Carolina Coelho Magalhães Grossi, de 19, fala do prejuízo para a cidade. "Esse local é importante para Belo Horizonte. É um espaço de lazer muito usado pela população, especialmente as pessoas de baixa renda. É uma pena que as providências só tenham sido tomadas depois do acidente", disse.

Fortini nega que tenha havido negligência por parte da PBH, mas confirma que nenhuma vistoria nesses moldes já tenha sido feita como a realizada depois do acidente de 12 de janeiro. "Não foi descuido. Já havíamos detectado antes uma infestação de cupins nas árvores e estávamos fazendo o tratamento desde março do ano passado. A árvore que caiu não tinha nenhuma indicação de problema. Havia dado frutos e estava com as folhas verdes. Com a queda, mesmo estando aparentemente perfeita, resolvemos fazer uma avaliação maior e mais rápida das árvores", explica Fortini. Segundo ele, uma vistoria também será realizada em árvores de outros parques.

 

Jornal "Estado de Minas", 16/2/2011