Repovoamento de peixes ganha reforço na Zona da Mata

A partir do segundo semestre, a região da Zona da Mata irá contar com um reforço no repovoamento de espécies nativas da Bacia do Rio Paraíba do Sul. Cerca de 50 mil alevinos serão produzidos anualmente pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) em convênio com a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), por meio do Programa Peixe Vivo. A produção começa no fim deste ano, durante a piracema - período de migração dos peixes rio acima para realizar a desova.

Com um investimento de R$ 170 mil da Cemig, a parceria visa incrementar as ações de pesquisa e produção em piscicultura, limnologia (estudo das condições da água) e biologia pesqueira na região da Zona da Mata até 2015. Os alevinos serão produzidos na Fazenda Experimental de Leopoldina e repassados à Cemig para a realização de peixamentos em reservatórios, açudes, rios e riachos na Bacia do Rio Paraíba do Sul, que banha os estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

Na primeira fase, serão produzidos alevinos das espécies curimba e piau-vermelho. Já na segunda etapa, a Epamig irá cultivar a piabanha, a pirapitinga do sul e o surubim do Rio Paraíba do Sul. Algumas das espécies, como o piau-vermelho e o surubim, estão com estoque reduzido na bacia ou ameaçadas de extinção. Além da produção de alevinos de espécies nativas, o convênio prevê um intercâmbio entre os técnicos das duas instituições e ações de educação ambiental junto às comunidades ribeirinhas durante as ações de peixamento.

Peixe Vivo

Na Bacia do Rio Paraibuna, afluente do Paraíba do Sul, a Cemig possui quatro Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs): Marmelos, Joasal, Paciência e Piau. Juntas, as PCHs possuem potência instalada de 34 MW.

Lançado em 2007, o Programa Peixe Vivo atua na conservação da ictiofauna nas bacias hidrográficas onde estão instaladas usinas da Cemig. "A empresa conduz trabalhos de pesquisa e desenvolvimento para aperfeiçoar o conhecimento, as práticas e as tecnologias de proteção ambiental nas áreas impactadas por suas atividades, divulgando ao público os resultados", afirma a bióloga do Programa Peixe Vivo, Flávia Silveira Lemos.

Atualmente, a Cemig produz 800 mil alevinos por ano em suas estações de piscicultura em Volta Grande, Itutinga e Machado Mineiro. A partir de 2012, a capacidade de produção da Empresa alcançará cerca de 1,2 milhão de peixes por ano, com a renovação do convênio com a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). Com a parceria, a Cemig recebe 400 mil alevinos anualmente produzidos nas estações de piscicultura de Três Marias e Gorutuba.

Resultados

O repovoamento é uma medida utilizada para mitigar o impacto de barragens em rios. No Brasil, ele é empregado desde a década de 1970 para restaurar, manter ou aumentar a produção pesqueira. Com a disseminação e a melhoria das técnicas de produção de peixes, a prática da piscicultura no Brasil aumentou consideravelmente a partir da segunda metade dos anos 80.

Segundo o pesquisador da Epamig na Zona da Mata, Alexmiliano Vogel de Oliveira, para avaliar a eficácia do repovoamento da bacia com as espécies produzidas em cativeiro, será utilizada uma ferramenta que permita avaliar a sobrevivência dos indivíduos soltos nos rios. Cerca de 50% dos peixes serão marcados com uma fita que, quando encontrada por um pescador, terá orientações para a devolução de informações à Cemig e Epamig, como medida, peso, data e hora de coleta. Com base nos dados obtidos, os pesquisadores poderão analisar o comportamento dos peixes após a sua soltura no rio, o que irá subsidiar a escolha dos locais para próximos peixamentos a serem realizados.

"O objetivo é minimizar o impacto das barragens na reprodução natural dos peixes e preservar a vida no rio. Não introduzimos espécies exóticas, pois elas podem causar um impacto ambiental na fauna", explica Alexmiliano Oliveira.