Aguapés retratam poluição em Ibirité

No lugar de uma paisagem que poderia ser um cartão-postal, está uma lagoa onde mal se pode perceber o espelho d'água. A visão é impedida pelos aguapés, que tomaram conta da superfície e têm provocado a morte de peixes.

Essa é a situação atual da represa de Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). O problema incomoda moradores, como o aposentado Roberto Picini, de 70 anos. Ele reside em um condomínio em frente à lagoa da Petrobras, como também é conhecida. O aposentado também reclama do mau cheiro causado pela grande quantidade de peixes mortos. "Está insuportável", diz.

Além de reduzir o nível de oxigênio da água e não permitir a sobrevivência dos peixes, a infestação de aguapés indica que a lagoa está poluída, de acordo com o biólogo Fábio Rezende. "A sobrevivência desse tipo de planta vem do alto índice de nutrientes orgânicos presentes na água, possivelmente resultado de esgoto doméstico. Se a lagoa estivesse limpa, o aguapé não sairia do lugar".

A Petrobras, companhia que construiu a represa para facilitar o resfriamento das máquinas de sua refinaria, contratou uma empresa para iniciar a retirada das plantas. No entanto, de acordo com um dos funcionários da Consita, que trabalhava no local, a previsão é de que o serviço seja concluído em dois anos, devido à quantidade que se alastrou.

Procurada para informar sobre outras providências que irá tomar para normalizar a situação, a Petrobras não disponibilizou nenhuma fonte para dar entrevistas e, até o fechamento desta edição, não enviou nenhuma nota de esclarecimento.

A Copasa informou que a situação está sob responsabilidade da administração municipal. Ninguém da Prefeitura de Ibirité foi encontrado para falar sobre o assunto.