Sustentabilidade no uso da água

A mudança no uso e ocupação do solo pode alterar a disponibilidade de água na raiz da planta e a infiltração no solo, alterando os fluxos superficiais e sub-superficiais da bacia hidrográfica onde a cultura está inserida. Esta é a conclusão de um estudo realizado na Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (USP/Esalq) para detectar as variações do balanço hídrico e da cobertura vegetal do solo. "Para promover o desenvolvimento sustentável e a conservação dos recursos naturais, torna-se fundamental compreender e quantificar a dinâmica do balanço hídrico regional", explica Ronaldo Antônio dos Santos, autor da pesquisa Estudo das variações dos componentes do balanço hídrico e área com solo exposto na bacia do Rio Verde, Goiás.

Para o pesquisador, a maximização da produção agrícola e a intensificação da exploração dos recursos naturais são fatores que precisam estar alinhados com o crescimento populacional e melhorias no padrão de vida das sociedades. A meta do trabalho foi analisar a dinâmica da precipitação, vazão e evapotranspiração da bacia hidrográfica do Rio Verde (GO) e verificar se o crescimento da área com solo exposto, devido à colheita de cereais nos meses de junho e julho, poderia ter influenciado esses dois últimos componentes do balanço hídrico.

"Além das transformações na superfície terrestre, a construção de grandes lagos artificiais e o desvio de água para irrigação também podem alterar as vazões de rios. Outro fator que geralmente tem resultado em aumento na vazão dos rios é a substituição de vegetação nativa, como florestas, savanas e cerrados, por outras de interesse econômico, como pastagens, culturas perenes e anuais", aponta o autor do trabalho.

MEDIÇÃO - O pesquisador afirma, ainda, que estudos sobre a expansão da área cultivada e seus impactos na dinâmica dos processos hidrológicos, como vazão e evapotranpiração, ainda são escassos, principalmente em grandes bacias hidrográficas, como as encontrados no Brasil. "O fato pode ser explicado, em parte, pela insuficiente disponibilidade de recursos humanos e, sobretudo financeiros, indispensáveis para estudos em extensas áreas, obtenção de séries históricas dos componentes do balanço hídrico e para o monitoramento do uso e cobertura dos solos", analisa Santos.

Com a medição, o pesquisador acredita que seja possível montar um banco de dados meteorológicos de vazão de rios que permitirá estudos mais profundos sobre a relação solo, água, planta e atmosfera, em escala regional. Para Santos, essas informações podem ser um importante subsídio para planejamento e gerenciamento de cenários urbanos e agrícolas.

Para o orientador da pesquisa, Marcos Vinícius Folegatti, "o emprego de técnicas de sensoriamento remoto para o monitoramento espaço-temporal da cobertura terrestre e do componente evapotranspiração será capaz de viabilizar pesquisas dessa natureza por meio da redução do tempo e investimentos financeiros necessários ao levantamento de dados de campo".

 

Jornal "Estado de Minas",15/2/2011