Participantes do Fórum Social criticam Davos e Rio+20

Intelectuais criticaram Davos por não prever uma crise econômica tão longa e afirmaram que o novo erro do Fórum Econômico Mundial é não debater sobre a falta de sustentabilidade global

Críticos do capitalismo e da globalização se reuniram em diferentes encontros nesta quarta-feira, 25, em Porto Alegre e cidades da região. O evento, chamado Fórum Social Mundial, foi criado em 2011 e tem como argumento a contrariedade ao encontro econômico anual de Davos.

Os participantes criticaram Davos por não prever uma crise econômica tão longa e afirmaram que o novo erro do Fórum Econômico Mundial é não debater sobre a falta de sustentabilidade global. De acordo com um dos idealizadores do encontro, Oded Grajew, a Davos está sempre atrasada: "Faz a velha filantropia" disse.

Segundo os membros do evento realizado em Porto Alegre, apesar de o Fórum Econômico Mundial ter anunciado o interesse em discutir diferentes caminhos para o crescimento e desenvolvimento, as grandes potências econômicas não tomam providências para acabar com as causas dos problemas, como, por exemplo, a desigualdade social.

Mesmo com o anúncio do Fórum Econômico Mundial de que quer debater neste ano caminhos diferentes para o crescimento e desenvolvimento, a crítica vinda de Porto Alegre é de que as grandes economias não agem para resolver as causas - como a desigualdade social

A presidente Dilma Rousseff participa nesta quinta-feira, 26, de dois eventos do Fórum Social Temático. O primeiro com a coordenação do encontro e logo depois com movimentos sociais. Em Canoas, o Seminário Internacional de Cidades de Periferia teve a participação do vice-presidente da organização Plaine Commune, o francês Jean Paul Le Glou, e do sociólogo português, Boaventura de Sousa Santos.

Segundo Le Glou, não é possível falar de sustentabilidade se as pessoas não têm consciência da importância do tema. Já Sousa criticou a demora da Europa em encontrar uma solução para a crise econômica da zona do euro: "A Europa ditou o que o mundo fazia por cinco séculos. De tanto querer ensinar, esqueceu de aprender. Só se fala em crescimento, mas um crescimento insustentável", afirmou o sociólogo.

Rio+20

A expectativa para a conferência Rio+20, que irá reunir líderes mundiais em junho para debater sobre o futuro do planeta, é baixa entre os intelectuais de esquerda e ambientalistas que participam do Fórum Social Mundial.

Críticas foram feitas ao documento divulgado pelas Nações Unidas que esboça a resolução que será votada na conferência. Oded Grajew afirmou que a proposta não prevê ações concretas para a redução de emissão de gases poluentes. Segundo o télogo Leornardo Boff, que participa do evento, o documento já nasceu velho: "Como está, não leva a nenhuma conclusão. São só conclamações idealistas, sem mostrar a sociedade que queremos", declarou.

Outros participantes do encontro disseram que há o risco de países desenvolvidos usarem o discurso do meio ambiente para frear o crescimento de nações emergentes como o Brasil, a China e a Índia.

A ex-senadora Marina Silva cobrou da presidente Dilma o veto as mudanças no Código Florestal aprovadas pelo Congresso. Dilma prometeu em sua campanha eleitoral em 2010, vetar projetos que aumentassem o desmatamento no país.

* Publicado originalmente no Estadão e retirado do site Opinião e Notícia