Áreas de risco do Rio de Janeiro devem ser mapeadas

A catástrofe na região Serrana do Rio de Janeiro completa nesta sexta-feira um mês, com moradores, empresas e o poder público ainda contabilizando os prejuízos. Em Teresópolis, começaram nesta quinta-feira as demolições de casas que estão em áreas de risco.


Para o engenheiro geotécnico e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Willy Lacerda, tornar obrigatório o zoneamento de áreas de risco em todo o país é a única maneira de evitar catástrofes como a da região serrana do Rio.


Propostas como esta serão apresentadas hoje durante um encontro de especialistas em estabilidade de encostas na capital fluminense. Engenheiros, geotécnicos e geólogos vão discutir as dimensões da destruição, as ações de resgate e as obras emergenciais necessárias para recompor parte da infraestrutura da região.


Lacerda explica que a partir do zoneamento de área de risco, os geólogos têm condições de identificar e determinar a espessura e a capacidade de absorção de cada solo e, então, definir se há pessoas morando em regiões propensas a deslizamentos.


"O zoneamento das aéreas de risco vai permitir que o poder público impeça a construção ou remova famílias que morem em áreas que não são seguras", ressalta.


Durante o encontro também serão debatidas ações de prevenção, de monitoramento e zoneamento de risco a fim de evitar, no futuro, a repetição de tragédias ligadas à questão do mau uso e ocupação do solo.


Começam demolições em Teresópolis


A Prefeitura de Teresópolis iniciou, ontem, as primeiras demolições em áreas de risco afetadas pelas chuvas na região serrana do Rio. Ao todo, 18 imóveis serão demolidos após vistoria da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e da Defesa Civil.


Segundo a secretaria, os locais serão reflorestados para evitar futuras ocupações. No entanto, os imóveis só serão demolidos com a permissão dos proprietários. Cada família que teve a residência condenada pela Defesa Civil poderá receber indenização do Governo do Estado, se inscrever no programa de aluguel social enquanto são construídos condomínios habitacionais ou participar do programa de compra assistida, em que o morador receberá o valor correspondente à avaliação feita do seu imóvel, sendo que o dinheiro só poderá ser aplicado na compra de nova moradia.


Até o momento, 1.590 imóveis foram interditados em Teresópolis e as famílias cadastradas para receber o aluguel social. O próximo passo será a construção das habitações populares.

 

Jornal " Hoje em Dia", 11/2/2011