Fim incorreto para o lixo consequências das enchentes

Castigados pela forte chuva que atinge Minas Gerais desde dezembro do ano passado, diversos municípios mineiros sofrem com os alagamentos. E parte desse recorrente problema pode ser creditado ao lixo acumulado em bocas de lobo, córregos e rios, obstruindo o escoamento da água. Mas especialistas avisam que simples atitudes podem diminuir as consequências das enchentes.

A superintendente executiva da Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda), Maria Dalce Ricas, explica que uma parcela da responsabilidade dos alagamentos é da própria sociedade que insiste em jogar lixo nas ruas. "Quando ocorre uma chuva forte, esses resíduos atrapalham a drenagem de água", afirma.

Além de causar prejuízos materiais a moradores das áreas alagadas, Maria Dalce informa que o dano se estende à natureza. "Em Belo Horizonte, por exemplo, esses resíduos são levados até o ribeirão Arrudas e outros córregos que, por sua vez, deságuam no rio das Velhas, agravando o problema de poluição desse curso d'água. A pouca fauna aquática que ainda resiste a contaminação também é atingida", avisa.

Para evitar esse tipo de problema, o diretor operacional da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU), Rogério Siqueira, diz que a empresa se esforça para manter limpos os 35 mil bueiros da capital. "Além das varrições, temos um serviço de limpeza específico para as bocas de lobo. Todas são limpas pelo menos uma vez por mês. De 26 de novembro a 25 de dezembro de 2011, limpamos 40.600 bocas de lobo", acrescentou.

Na avaliação do engenheiro geólogo Edézio Teixeira de Carvalho, as cheias em BH não foram provocadas apenas pelo entupimento de bueiros, mas também pelas poucas opções de drenagem de águas pluviais. "Percebo que não é a boca de lobo que, entupida, não dá conta de escoar toda a chuva. O problema é a galeria subterrânea, que não comporta um volume tão grande de água", explica.

A ambientalista Dalce Ricas sugere que o governo invista em campanhas que incentivem a população a reduzir a quantidade de lixo produzida por dia, que varia de 800 gramas a um quilo por pessoa.

Descarte irresponsável de guarda-chuvas

Por causa das chuvas intensas e ventos fortes comuns nessa estação, há quem acabe descartando pelas ruas guarda-chuvas e sombrinhas que não servem mais. O responsável pelo setor de tecnologia e informações em resíduos do Centro Mineiro de Referência em Resíduos (CMRR), Murilo Zaparoli, alerta sobre os danos ambientais causados por esse ato. Segundo ele, o período para decomposição de materiais como metal, tecido e plástico leva anos.

O especialista ensina que algumas associações podem reutilizar esses materiais por meio da reciclagem. "Já ouvi falar de ecobags produzidas a partir do tecido da sombrinha, por exemplo. Aqui no CMRR, existindo demanda, podemos tentar reaproveitar os objetos", informa.