Polícia prende 14 acusados de integrar a Máfia do Carvão

Salvador. O Ministério Público da Bahia (MP-BA) divulgou que 14 pessoas foram presas durante a operação Cruzeiro do Sul, que combate a produção, comercialização e transporte ilegais de carvão vegetal nos Estados da Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo. Entre os presos, está um policial civil que, segundo o MP, extorquia caminhoneiros e fazia a escolta de caminhões carregados de carvão ilegal. Dessas prisões, nove ocorreram na Bahia e as outras cinco foram feitas no Espírito Santo, informou o Ministério Público.


Nos municípios de Teixeira de Freitas, Mucuri, Alcobaça, Caravelas e Nova Viçosa, no extremo sul baiano, o MP e as Polícias Civil, Militar e Rodoviária Federal já destruíram 90% dos cerca de 1.500 fornos ilegais e apreenderam veículos, documentos, computadores, munição e uma motosserra.


Ação. A operação foi desencadeada na madrugada de ontem pelo Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nuroc). Estão sendo cumpridos mandados de prisão para 33 pessoas no Espírito Santo, em São Paulo, em Minas Gerais e na Bahia. São funcionários de siderúrgicas e empresários, todos suspeitos de formar quadrilhas que agem, principalmente, no Espírito Santo. Essas quadrilhas, de acordo com a polícia, montam um esquema criminoso de roubo de madeira e sonegação fiscal na venda de carvão.


Segundo o Nuroc, a madeira era roubada de propriedades particulares - e até de reservas ambientais - e, depois, era transportada em caminhões e levada para carvoarias clandestinas. De acordo com a polícia, no Espírito Santo e na Bahia, 5.000 mil fornos fazem carvão de maneira irregular.


"Depois, o produto é comprado por uma empresa, que revende o carvão para siderúrgicas, principalmente de Minas Gerais. Só que essa empresa sonega impostos e, assim, consegue vender por um preço bem menor. Neste ano, a polícia intensificou a investigação e já apreendeu motosserras, aparelhos de emitir nota fiscal eletrônica e armas", contou o delegado Jordano Leite, que comanda a investigação no Espírito Santo.
Em dez anos, R$ 1 bilhão em sonegação fiscal

Salvador. O delegado Jordano Leite, que coordenou as operações no Espírito Santo, afirmou que esse é o maior esquema de sonegação de impostos que já foi montado no Estado.


"Praticamente, não ocorreu nenhum recolhimento de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), além de tributos federais", disse.


"Nós acreditamos que, nos últimos dez anos, as cifras chegam a aproximadamente R$ 1 bilhão de impostos sonegados", afirmou Jordano Leite.


De acordo com o delegado, neste ano, mais de 300 pessoas já foram presas suspeitas de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, crime ambiental, falsidade ideológica e sonegação fiscal.