Comissão vai cobrar abastecimento de água em Sabará

A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais vai cobrar providências para o abastecimento de água da comunidade rural de Palmital, em Ravena, distrito de Sabará. Nesta quarta-feira (7/12/11), o vice-presidente da comissão, deputado Paulo Lamac (PT), visitou o vilarejo e verificou a péssima qualidade da água consumida por 90 famílias que vivem lá.

O parlamentar ficou impressionado com os relatos dos moradores, de doenças como hepatite e diarreia, que afligem principalmente crianças e idosos. "A água evidentemente é imprópria para o consumo humano", afirmou. Paulo Lamac foi até a bica onde 17 famílias abastecem suas casas e colheu uma amostra de água turva que será encaminhada para análise química. O resultado desse exame, juntamente com o relatório da visita, será repassado à Defensoria Pública, que vai ajuizar uma ação civil pública cobrando a responsabilidade da prefeitura.

A dona de casa Valcely de Jesus Evangelista Siqueira, mãe de um bebê de sete meses, descreveu as dificuldades que enfrenta por conta da falta d'água. Segundo ela, a água da bica é compartilhada com o gado de um sitiante vizinho, e fica ainda mais suja quando chove. "Nossa situação é horrorosa. Estamos sofrendo bastante", resumiu. Há vizinhos que se valem de cisternas, mas a água também é contaminada pelas fossas sépticas, uma vez que não há rede de esgoto no Palmital. Muitos moradores coletam água da chuva, que fica armazenada em caixas, bombonas e baldes a céu aberto, sem nenhum tipo de proteção.

José Campos, um dos moradores mais antigos, conta que em 2003 a prefeitura instalou um poço artesiano e uma rede de distribuição de água para a comunidade. Mas, segundo ele, há três anos os equipamentos estragaram e o poder público municipal nunca providenciou o conserto. Um caminhão-pipa, de acordo com ele, abastece um grupo de 12 famílias, mas o serviço é interrompido quando chove, uma vez que não há asfalto no Palmital.

Os moradores se ressentem ainda mais porque a prefeitura instalou, bem ao lado da comunidade, um poço artesiano que abastece o vilarejo vizinho de Muniz. De acordo com o vereador Ricardo Antunes, há um ano a prefeitura se comprometeu a reparar o sistema de abastecimento do Palmital, mas até hoje nada foi feito. Para ele, o problema é a falta de vontade política. "É uma situação de total desrespeito, um absurdo de abuso de poder", afirmou.

Os moradores relataram ao deputado Paulo Lamac que a prefeitura quer que eles próprios se organizem para fazer a manutenção do sistema de abastecimento de água. Para o defensor público Thiago Dutra, a responsabilidade pelo serviço é da prefeitura. Ele informou que a ação civil pública que será ajuizada vai cobrar o fornecimento de água para todas as comunidades de Sabará que não contam com o serviço. Segundo o defensor, existem 10 mil pessoas no município sem acesso à água potável.