Audiência debate qualidade da água da Pampulha

A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais realiza, na próxima quarta-feira (7/12/11), audiência pública para apresentar e discutir o Atlas da Qualidade da Água do Reservatório da Pampulha, que será publicado em 2012. Desenvolvido pelo Laboratório de Gestão Ambiental de Reservatórios (LGAR) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o estudo traz recomendações a órgãos ambientais para a recuperação da Bacia da Pampulha, localizada em Belo Horizonte e Contagem. Solicitada pelo deputado Rogério Correia (PT), a reunião será às 10 horas, no Plenarinho IV.

De acordo com um dos convidados da audiência, o coordenador do LGAR, professor Ricardo Motta Pinto Coelho, foi constatado que a qualidade da água na lagoa está comprometida e necessita de intervenções. A primeira delas é a retirada e tratamento dos esgotos que caem na represa. No entanto, o pesquisador defende que a despoluição é uma condição necessária, mas não suficiente para resolver o problema que se arrasta por anos na bacia. Para ele, a solução dependeria da implantação de projetos paralelos, como os de coleta seletiva, gestão de resíduos da construção civil, manejo de peixes, entre outros.

O professor explicou que, além da poluição, a Lagoa enfrenta problemas como o acúmulo de lixo junto às margens e o assoreamento, provocado em grande medida por uma má gestão dos resíduos da construção civil. "Muitas obras de terraplanagem não têm contenção. Com a chuva de hoje, por exemplo, a lama das obras do Mineirão foi parar na represa", exemplificou. A presença de espécies não apropriadas de peixes, como a tilápia, também estaria agravando a qualidade da água. Colocada na lagoa provavelmente por intervenção humana, a espécie tem o hábito de revolver o fundo dos lagos para buscar alimento e pôr ovos, levando para a coluna d'água elementos nocivos, como o fósforo, antes sedimentados.

Convidados - Foram convidados para a audiência o coordenador do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Defesa do Meio Ambiente, Patrimônio Histórico e Cultural, Habitação e Urbanismo, Luciano Badini Martins; a prefeita Municipal de Contagem, Marília Aparecida Campos; o coordenador executivo da Prefeitura de Belo Horizonte, Ricardo de Miranda Aroeira; o analista de educação da Copasa, Valter Vilela Cunha; o vice-presidente da Fundação Unesco-Hidroex e coordenador do LGAR, Ricardo Motta Pinto Coelho; o gerente regional da Caixa Econômica Federal, Marx Fernandes dos Santos; o diretor comercial da Biobrás, Igor Van Doornik; o coordenador do Projeto Manuelzão, Apolo Heringer Lisboa; e o presidente da Associação dos Amigos da Pampulha, Carlos Augusto Moreira.