Futuro dos recursos hídricos no Brasil é debatido por especialistas

Quais são as perspectivas do setor de recursos hídricos diante dos desafios que se apresentam? Na busca por respostas a esta pergunta, o 19º Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos, que acontece em Maceió até 1º de dezembro, promoveu a mesa redonda intitulada "Cenarização Prospectiva de Recursos Hídricos", que contou com a participação do diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), Paulo Varella (foto), e do consultor Rodolpho Ramina.

Abrindo sua fala, Varella deixou clara sua posição com relação ao papel desenvolvimentista desempenhado pela água. "A água é o vetor do desenvolvimento em qualquer uma de suas dimensões", destacou. O diretor da ANA também apontou a gestão descentralizada, integrada e participativa dos recursos hídricos como os três pilares da governança da água.

De forma regionalizada, Varella destacou os desafios que o Brasil tem pela frente quando o assunto é água. O comprometimento da disponibilidade hídrica atual devido à poluição foi a primeira questão abordada. Outro fator a ser considerado é o crescimento da demanda do recurso pelos principais usos consuntivos (que consomem água) nos próximos anos, com destaque para a agricultura, o uso doméstico e o industrial.

O diretor da ANA ainda traçou um panorama de desenvolvimento regional sustentável, que tem como fatores a serem considerados no sentido dos recursos hídricos: a expansão da geração hidrelétrica na região Norte; a irrigação no extremo Sul; a expansão da fronteira agrícola no Centro-Oeste; e a poluição dos mananciais no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. "A superação desses grandes desafios depende da construção de um sistema eficaz de governança das águas", afirmou.

Além disso, Varella utilizou dados do Atlas Brasil - Abastecimento Urbano de Água ao afirmar que serão necessários investimentos de R$ 22,2 bilhões em obras até 2015 para assegurar água para o abastecimento dos 5.565 municípios brasileiros até 2025 - R$ 9,6 bilhões (43%) serão necessários apenas para as 256 maiores cidades. Ainda de acordo com o Atlas, um montante de R$ 47,8 bilhões será necessário para a implantação de redes coletoras (R$ 40,8 bilhões) e estações de tratamento de esgotos (R$ 7 bilhões) em municípios onde o lançamento de esgotos tem potencial para poluir mananciais de captação.

Conforme o dirigente da Agência Nacional de Águas, de 2011 em diante deve haver uma maior integração da política de recursos hídricos com as políticas ambiental, locais e setoriais. Outro ponto defendido por Varella é o fortalecimento dos sistemas estaduais de recursos hídricos e uma maior articulação deles com o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Singreh).

Para o consultor Rodolpho Ramina, que fez uma apresentação sobre o planejamento dos recursos hídricos, é necessário que o setor seja efetivo sobre o controle e o uso do solo, pois senão corre o risco de ter uma visão estreita sobre as questões relacionadas aos recursos hídricos.

O Simpósio

O tema do 19º Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos é "Água em um mundo em transformação". De 27 de novembro a 1º de dezembro, no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, em Maceió (AL), o assunto será amplamente debatido por representantes da comunidade técnico-científica, dos usuários de recursos hídricos, da sociedade civil, agentes públicos, professores, pesquisadores, consultores, empreendedores, agentes privados, estudantes e interessados. Cerca de 2 mil participantes são esperados na capital alagoana durante o evento, que é realizado pela Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH) e tem patrocínio da ANA. Para mais informações, acesse: http://www.acquacon.com.br/xixsbrh.
Ascom/ANA