Mina clandestina desaba, mata um e fere três no Leste do Estado

Deslizamento de terra em uma mina de feudspato provocou a morte de um garimpeiro e deixou outros três feridos na tarde de segunda-feira (7). O acidente foi no Distrito de Laranjeiras, zona rural de Galileia, a 80 quilômetros de Governador Valadares. O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) vai vistoriar a lavra na próxima semana, mas há indícios de que a extração era feita de forma clandestina.


Pedro Cláudio de Freitas, 40 anos, que trabalhava no local há três meses, morreu. O dono da mina, Carlos Roberto Pereira, e Elci Cláudio de Freitas, 25 anos, também foram soterrados e tiveram escoriações. Até esta terça-feira (8), Carlos continuava internado no Hospital Municipal de Valadares. Um terceiro homem conseguiu sobreviver e já recebeu alta.


Os garimpeiros trabalhavam a uma profundidade de três metros. Como o local é de difícil acesso, a remoção do corpo foi demorada e exigiu das equipes de resgate o uso de trator, enxadas e pás para remover a terra. Pedro teve parte do crânio fratura do por uma pedra. A vítima foi sepultada na terça-feia em Galiléia, onde morava.


Os garimpeiros faziam escavações para tentar encontrar feudspato, espécie de rocha que não contém minério e é usada para fazer louças e vidros. "Nada do tipo tinha ocorrido aqui, antes. Ficamos chocados", disse o operador de retroescavadeira Agnaldo Francisco da Rocha, 37 anos, primo da vítima.


O chefe de gabinete da Prefeitura de Galiléia, Jaime Gomes, admitiu que a administração não fiscaliza os garimpos e desconhece quantos existem na cidade. Segundo ele, novos pontos de extração surgem todos os dias. "A maioria, talvez todos, é ilegal. Nós não fiscalizamos. Se há alguma autorização para a atividade, não sabemos. Isso é entre os proprietários dos terrenos e os órgãos competentes".


De acordo com o engenheiro de minas do escritório do DNPM em Governador Valadares, Marlúcio Dias de Souza, existe a suspeita de que a lavra onde ocorreu o acidente seja clandestina. Não teria qualquer tipo de registro ou licença expedida pelos órgãos responsáveis, como o próprio DNPM e a Superintendência Regional de Meio Ambiente (Supram Leste).


O garimpo também poderia ser uma lavra irregular ou ilegal - com autorização para pesquisas, mas não para extrações. No entanto, Souza acha a hipótese pouco provável.

"Vamos vistoriar o lugar e levantar a real situação. As informações que temos agora chegaram até nós por meio de fontes não oficiais", disse o engenheiro. A inspeção está prevista para a semana que vem.

 

 

Jornal "Hoje em Dia", 9/2/2011