Ibama e PF de olho na mancha

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) anunciou que vai multar a Chevron, empresa responsável pelo vazamento de petróleo no litoral fluminense. O acidente aconteceu na semana passada, no campo de Frade, na Bacia de Campos, em uma área operada pela companhia petrolífera americana. Em outra frente, a Polícia Federal (PF), por determinação da presidente Dilma Rousseff, começou ontem a tomar os primeiros depoimentos de funcionários da companhia. Já o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, optou por amenizar o problema. Segundo ele, o vazamento não é tão grave, já que o óleo foi levado para o alto-mar e não em direção à praia.

O Ibama ainda não definiu o valor da multa, pois depende da verificação da extensão da área atingida, o que só será descoberto após a finalização dos trabalhos de contenção do petróleo. Segundo nota, o instituto também não atua diretamente nessa tarefa, que é de responsabilidade da companhia petrolífera. "Assim que recebeu a comunicação da Chevron sobre o vazamento, o Ibama mobilizou suas equipes para acompanhar as medidas adotadas pela empresa", informa o comunicado, assinado pelo presidente do órgão, Curt Trennepoh. "Especialistas do Ibama estiveram na região do acidente e acompanham a evolução do caso diretamente da sala de situação, coordenada pela Marinha do Brasil, que conta também com a participação da Agência Nacional do Petróleo (ANP)", acrescenta o documento.

Ainda na sexta-feira da semana passada, agentes da PF tentaram sobrevoar a região para verificar a extensão do vazamento, mas o mau tempo comprometeu a visibilidade no voo. Eles começaram a ter uma ideia da dimensão do problema na última terça-feira, quando chegaram à plataforma. Segundo o delegado que coordena a investigação, Fábio Scliar, o que se viu foi um volume grande de óleo espalhado no mar. "A empresa disse que estava tudo sob controle, mas conversamos com algumas pessoas que estão trabalhando na contenção e elas nos disseram que não há previsão de controle do óleo", afirmou ao Scliar. "É um desastre de proporções calamitosas do ponto de vista ambiental", observa o delegado.

PROCESSO As primeiras informações obtidas pela PF é de que o óleo está se espalhando, mas a ANP afirma que o primeiro estágio de cimentação da plataforma de perfuração, procedimento feito pela Chevron para o abandono definitivo do poço, foi concluído com sucesso. Conforme a ANP, a mancha de óleo continua se afastando do litoral e se dispersando. A agência abriu processo administrativo para a investigação do acidente e a aplicação das medidas cabíveis.

A Chevron informou que continua monitorando a mancha de óleo e confirmou que ela vem se dissipando. A estimativa da companhia é de que o volume de óleo na superfície do oceano esteja abaixo de 65 barris. "A companhia conta com uma frota de até 18 embarcações, operando em rodízio, como permitem as condições meteorológicas, para controlar e monitorar a mancha", comunicou a empresa.


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O problema

A provável causa do desastre foi uma rachadura de cerca de 300m no solo, próxima ao local em que estava sendo feita a perfuração do petróleo, a uma profundidade de 1.200m. Segundo a Chevron, a região explorada pela empresa tem uma produção diária de 79 mil barris de petróleo, em uma área a 370 quilômetros ao nordeste do Rio. A mancha de óleo está hoje a pelo menos 120 quilômetros do litoral.