ANA reforça importância da proteção florestal dos rios, em Audiência Pública no Senado

A Agência Nacional de Águas (ANA) foi convidada a participar de Audiência Pública na Comissão Mista Permanente de Mudanças Climáticas do Senado, na quarta-feira, 09/11, para discussão sobre gestão dos recursos hídricos e mudanças climáticas.

Em resposta ao requerimento feito pelo presidente da Comissão, senador Sergio Souza (PMDB-PR), o diretor-presidente da ANA, Vicente Andreu, compareceu à audiência pública e reforçou a necessidade de manter a largura da faixa de proteção vegetal ao redor dos rios em 30 metros.

Ontem, as comissões de Agricultura e de Ciência e Tecnologia do Senado votaram o texto base do Novo código Florestal, que foi encaminhado para a Comissão de Meio Ambiente. "Por ter baixos índices de tratamento de esgoto, o Brasil vai ter que gastar uma fortuna para que os rios voltem à sua condição natural. Os países que não protegerem as margens de seus rios também terão que gastar muito no futuro para recompor a cobertura de proteção florestal, porque vão começar a ter problemas de qualidade de água", disse Andreu.

Sobre a relação entre gestão de recursos hídricos e mudanças climáticas, Andreu admitiu que há resistência entre hidrogeólogos de vários países em aceitar cientificamente o tema mudanças climáticas, já que o setor trabalha com séries históricas e, por isso, há um atraso na área de recursos hídricos no sentido de definir uma posição sobre o tema.

"O sistema trabalha com a estacionalidade das curvas de vazão e esses dados não confirmam o conceito de mudanças climáticas", disse. Segundo ele, há dificuldade de transportar os modelos de chuva e vazão de rios para a realidade das bacias hidrográficas. No entanto, segundo Andreu, uma possibilidade de aumentar a segurança sobre a garantia de água no futuro, considerando um cenário de variação de regime de chuvas decorrentes de alteração do clima, é aumentar a reservação de água construindo mais reservatórios em todo o País.

Além disso, outra possibilidade que pode aumentar a eficácia de previsões e de tomada de decisões é melhorar e aumentar a rede de monitoramento de chuvas e rios. O Brasil possui 15.774 estações de monitoramento, sendo que 4.523 pertencem à ANA.