Falta tratar esgoto em 77% das cidades

Mais de 90% dos 853 municípios de Minas Gerais têm coleta do esgoto produzido por seus moradores. No entanto, apenas 23% deles tratam esses efluentes. O dado foi divulgado ontem no Atlas de Saneamento 2011, editado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e se refere a pesquisa feita em 2008. A demógrafa do setor de Supervisão de Disseminação de Informações do órgão em Minas, Luciene Longo, informou, ao analisar os números, que o percentual está abaixo dos outros estados da Região Sudeste. São Paulo tem 78,5% do esgoto tratado, enquanto Rio de Janeiro e Espírito Santo têm 45,7% e 69,2%, respectivamente.

Os municípios do Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha são os mais atingidos pela ausência de rede coletora. Aparecem na lista cidades como Matias Cardoso, Montalvânia, Espinosa, Taiobeiras e Itaobim. Entre os índices mais baixos do país estão os estados de Rondônia, com 1,8% do esgoto tratado, Piauí, com 2,24%, e Rondônia, com 3,8%. A pesquisa também revelou que todos os 853 municípios mineiros têm abastecimento de água, mas em 69 ela é não é tratada. O número é menor se comparado aos outros estados do Sudeste. Rio de Janeiro e Espírito Santo alcançam o índice de 100% e em São Paulo apenas um município não faz o tratamento da água.

A Copasa, responsável pelo saneamento básico na maior parte dos municípios mineiros, informou que o serviço de coleta de esgoto é feito em 83% das cidades onde a companhia atua. Conforme a estatal, em informações divulgadas por nota, há 115 estações de tratamento de esgoto no estado e outras 78 estão em obras. Dez novas ETEs estão em licitação e 34 já foram projetadas para serem construídas.

CHUVA O estudo feito pelo IBGE também revelou a situação das grandes cidades brasileiras quanto a inundações. Em 2000, 671 municípios mineiros faziam o controle do escoamento das águas das chuvas, sendo que 234 apresentavam pontos de alagamentos constantes. Oito anos depois, os dados mostram que mais cidades de Minas passaram a fazer o manejo das águas pluviais (831) e 301 tinham locais de inundações. A maior parte está em regiões de mais adensamento populacional, como a Região Metropolitana de Belo Horizonte e municípios da Região Central e Zona da Mata.

No Brasil, 94,4% dos municípios informaram que contam com sistema de drenagem da água da chuva, mas, para o IBGE, não o suficiente para evitar prejuízos, já que 40,8% do total sofrem com inundações em áreas urbanas. Conforme o instituto, os fatores agravantes são obstrução de bueiros, obras inadequadas, ocupação intensa e desordenada do solo, desmatamento e lançamento de resíduos sólidos nas ruas e rios.