Suspeita de lixo hospitalar em outros contêineres

A Receita Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vão inspecionar hoje outro contêiner importado por empresa de confecções de Pernambuco, por suspeita de que a carga também contenha lixo hospitalar trazido ilegalmente dos Estados Unidos. Desde a descoberta de um contêiner com material infectado, na tarde de terça-feira, no porto de Suape, toda a contabilidade da importadora, que não teve o nome revelado pelas autoridades alfandegárias, está sendo revista.

Outro carregamento já foi bloqueado desde a descoberta da fraude e a suspeita é de que haja outros.
A investigação inicial revelou que o contêiner com 23 toneladas de lixo hospital infectado, como seringas e drenos, foi o oitavo importado pela companhia pernambucana só neste ano. Os primeiros seis entraram no país sem ao menos passar por qualquer inspeção. O contêiner ainda não vistoriado pelos agentes da Receita e da Anvisa chegou a Suape na semana passada, proveniente de Charlestone, na Carolina do Sul, nos Estados Unidos, mesmo local de onde foi importado o lixo hospitalar descoberto pela alfândega brasileira. Em uma das fotos da carga feitas pela Receita Federal, é possível ler Hospittal Central Services Cooperative em um dos lençóis sujos. Também havia seringas, drenos e cateteres dentro do contêiner.

O Ministério Público Federal, o Ibama e a Polícia Federal serão convocados hoje, por ofício, a entrar nas investigações. O inspetor-chefe da Alfândega do Porto de Suape, Carlos Eduardo Oliveira, acredita que a Interpol também deve entrar no caso, já que o exportador é norte-americano. Ele também cogita a possibilidade de entrar em contato com o consulado americano no Brasil. Segundo a coordenadora da Vigilância Sanitária em Portos e Aeroportos de Pernambuco, Karla Baeta, a visita de hoje ao porto também servirá para tentar rastrear outros contêineres importados pela mesma empresa.

O destino do lixo hospitalar descoberto em Suape ainda não foi definido. Segundo Carlos, o material deve retornar aos EUA. Essa foi a medida tomada em 2009, quando 740 toneladas de lixo trazido da Inglaterra foi desembarcado no porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Na ocasião, até o Ministério das Relações Exteriores entrou no caso, que se tornou uma saia justa diplomática. A decisão sobre a devolução da carga ilegal em pernambucano será decidida em conjunto pela Receita Federal, Anvisa, Ministério Público e a Polícia Federal.

LIMPEZA A outra alternativa seria destruir a carga no Brasil, com o custo do processo cobrado da empresa importadora, que pode ser multada ainda em até R$ 1 milhão por violar três leis sanitárias, além de ser enquadrada no crime de contrabando. "Mas a nossa intenção não é ficar com isso aqui. É perigoso e pode contaminar o meio ambiente", alertou o inspetor-chefe da Alfândega do Porto de Suape. Devido aos riscos, a abertura e a avaliação do novo contêiner, marcadas para hoje, serão feitas em local isolado, fora da área de conferência de mercadorias. Serão usados equipamentos de proteção, como máscaras e luvas, para a vistoria.

Memória

Carga devolvida aos ingleses

Em julho de 2009, o navio MSC Oriane, carregado com dezenas de contêineres de lixo provenientes da Inglaterra, foi interceptado no porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, e teve de retornar ao país de origem. A carga foi importada como polímeros de etileno para reciclagem. Por meio de denúncia anônima, a Receita Federal descobriu que tratava-se de lixo tóxico e doméstico. A apreensão foi feita quase um ano depois de a carga chegar ao Brasil pelo porto de Santos. devolução fez parte de um acordo feito com o Ibama. Os 89 contêineres foram transportados em agosto de 2009 ao porto de Felixstowe, em Suffolk, na Inglaterra.