Sustentabilidade chega ao luxo

O movimento ecofashion cresceu e já tem seus ícones. No Brasil , o nome mais linkado ao tema é o de Oskar Metsavaht (Osklen) - que define a ecomoda como o "novo luxo". Traduzindo essa nova postura, seria aproximar o bom design da pesquisa de materiais sustentáveis e, em sua produção, considerar as causas sociais, beneficiando comunidades inteiras. Além disso, é indispensável valorizar as raízes culturais das regiões onde as peças são produzidas.


No circuito mundial, os profissionais com contornos ecofriendly assumem plenamente suas atitudes ambientais e ecossociais. O maior deles é a Stella McCartney, que não usa nenhuma matéria-prima de origem animal, ou que tenha sido testada neles, em suas produções. Com seu prestígio, levou o conceito para marcas poderosas como a Adidas. Outra inglesa que está no pódio da ecomoda é Vivienne Westwood - que recentemente pediu menos consumo de moda e até menos lavagens das roupas para economizar matéria-prima e água.


Negócios Além daqueles que assumem uma postura política sobre o assunto, nomes cujos negócios chegam aos bilhões já adotaram a nova doutrina. É o caso da Chanel, cujo estilista Karl Lagerfeld aderiu às peles falsas no polêmico desfile para o inverno'2011 - paradoxalmente, feito em torno de um pedaço de iceberg levado do Polo Norte para Paris. Enquanto isso, a Louis Vuitton retirou o plástico das suas embalagens, optou pelo transporte marítimo nas exportações (polui menos) e ainda criou um guia de tendências ambientais. Também a Gucci adotou embalagens feitas com papel de reflorestamento e a Ferragamo criou sapatos com sola reciclada.


A lista é imensa e entra em todos os segmentos que definem estilo e modo de vida - como as grandes marcas de carros, relógios, joias, movelaria, arquitetura, decoração e mais. É o mercado de luxo aderindo ao ecológico, inclusive com uma feira só para eles, a 1.618, realizada anualmente no Palais de Tokyo, em Paris.


Feiras No quesito moda, as feiras com propostas ambientais e ecossociais ganham força. Entre elas se destacam a Ethical Fashion Show, em Paris (agora é atrelada ao Salão do Prêt-à-Porter), a London Green Fashion e similares na Alemanha, Canadá, Espanha e outros países. Nos Estados Unidos, uma mostra paralela com viés ecossustentável é realizada na temporada da New York Fashion Week. No Brasil, há esforços de organizações como o movimento Vestir Consciente, estimulado pelo Instituto Ecotece, e inúmeras iniciativas isoladas, geralmente abrigadas em eventos de maior porte.


Acompanhando essa tendência, as publicações de prestígio lançam suas edições verdes anualmente - caso da Vogue e da Elle americanas. Uma revista exclusivamente dedicada ao consumo verde , a Above ganhou o mercado internacional. Por aqui, algumas tentativas pontuais foram registradas - mas o que se multiplica mesmo são os blogs e coletivos fashion como a Comunidade Moda Verde. Seu lema: "Sustentabilidade sem o belo é triste".

Jornal "Estado de Minas", 27/12/2010