Radar começa a ser montado

O radar meteorológico que vai monitorar a aproximação e a formação de tempestades severas em Minas Gerais começou a ser instalado ontem em Mateus Leme, na região metropolitana de Belo Horizonte. A expectativa é que o aparelho de origem finlandesa, capaz de emitir alertas com até quatro horas de antecedência, comece a operar em novembro, depois do início do período chuvoso.


Técnicos irão içar o radar, avaliado em R$ 10,5 milhões, até o topo de um prédio de 15 m construído no morro do Elefante. O ponto é estratégico. Dali, as ondas eletromagnéticas emitidas pelo equipamento (modelo banda C Doppler de dupla polarização) chegam a boa parte do Estado, em um raio de até 450 km. Refletidas nas gotas d'água nas nuvens, as ondas retornam à estação meteorológica e alimentam computadores com dados climáticos.


As informações serão transmitidas online a técnicos do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), que vão monitorar os dados 24 horas por dia. Em caso de risco de inundações, técnicos do Igam vão encaminhar alertas de chuva forte às defesas civis dos municípios. O Igam está montando uma sala de monitoramento.


Nas áreas mais próximas às instalações (em um raio de até 200 km), que incluem a capital e a região metropolitana, as medições poderão revelar até o volume de precipitação de água, o que possibilitará, por exemplo, isolar o trânsito em vias suscetíveis a inundações.


Segundo a assessoria de imprensa do órgão, a Defesa Civil de cada cidade irá definir a estratégia de repassar as informações à população. Em Belo Horizonte, a ideia é alertar os moradores por mensagens pelo telefone celular e também pela internet, via Facebook e Twitter. "Estamos fazendo parcerias como empresas de telefonia", disse o coronel Alexandre Lucas Alves, responsável pela Defesa Civil Municipal (Comdec). "Se já soubermos os locais onde ocorrerão tempestades fortes, será possível identificar os rios que vão transbordar e as famílias que ficarão em situação risco", explicou o coronel. De acordo com ele, as pessoas poderão ser levadas para abrigos da prefeitura com antecedência.


Em 2009, seis pessoas morreram depois do transbordamento do ribeirão Arrudas. Neste ano, a Comdec registrou 111 ocorrências em apenas uma semana: 90% eram quedas de muro e de encostas. De outubro do ano passado a abril deste ano, 167 municípios decretaram situação de emergência por causa de inundações. Vinte e três pessoas morreram.


Professor do curso de engenharia hidráulica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Nilo Nascimento acredita que o radar diminuirá o risco de mortes decorrentes das chuvas. Porém, ele lamenta que o aparelho ainda não esteja funcionando. "Ele já poderia reduzir os problemas agora", disse o professor.


De acordo com a Cemig, a montagem do radar é lenta e, por isso, não será possível antecipar a operação. O mesmo equipamento já é utilizado em Estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina.