Esgoto e detritos devem marcar presença na Copa

O turista que chegar a Belo Horizonte para ver os jogos da Copa do Mundo de 2014 talvez tenha que tapar o nariz quando chegar próximo ao Mineirão. Ao contrário do estádio, que estará novinho e de acordo com as rigorosas normas da Fifa, a lagoa da Pampulha corre o risco de continuar suja e poluída. A Copasa enfrenta dificuldades para acabar com o lançamento de esgoto de 8.000 domicílios localizados no entorno dos rios que deságuam no espelho d'água.


O assunto foi tema de audiência pública realizada ontem na Assembleia Legislativa. Segundo a Copasa, os proprietários de milhares de imóveis em Contagem, na região metropolitana, e na capital se recusam a regularizar a rede de esgoto para não pagar taxa de saneamento básico. Enquanto isso, os dejetos são lançados diretamente nos rios da bacia da Pampulha.


Com R$ 102 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) disponíveis, a Copasa construirá interceptores de esgoto ao longo dos córregos da região. A partir desse sistema, os rejeitos serão levados diretamente para as estações de tratamento. Apenas a água da chuva será lançada nos cursos d'água, exceto dos moradores resistentes à taxa de saneamento.


"Se essas residências continuarem jogando o esgoto nos rios, o problema não será resolvido", disse o gestor da Meta 2014 da Copasa, Valter Cunha. As obras irão canalizar o esgoto de 50 bairros em Belo Horizonte e Contagem. Serão nove lotes de obras, sendo duas na capital e sete no município vizinho.


Assoreamento. Outro problema que persistirá até a Copa do Mundo é o assoreamento da lagoa. O município mantém um trabalho permanente de remoção da terra que é carreada pelos córregos, mantendo os níveis estabilizados.


Porém, não há recursos extras para retirar os detritos que se acumularam no decorrer das últimas décadas, equivalentes a 70 mil m³. "Os rios vão trazer a água limpa, mas, se o desassoreamento não for feito, a lagoa continuará suja", admitiu o coordenador executivo do Programa de Recuperação Ambiental da Secretaria Municipal de Políticas Urbanas (Sudecap), Ricardo Aroeira.


Anualmente, cerca de 1.000 m³ de terra caem na lagoa. Mais da metade dos rios que desembocam na lagoa nasce em Contagem, onde somente 60% do esgoto é tratado. O esgoto coletado na bacia da Pampulha será encaminhado para a estação do Onça.

Projeto de revitalização preocupa
O projeto de revitalização da lagoa da Pampulha preocupa moradores e ambientalistas. "Não adianta apenas fazer as obras de saneamento e não se preocupar com a lagoa em si e com a população que joga lixo no local", disse o engenheiro civil e morador da Pampulha Décio Shami.


A opinião é compartilhada pelo coordenador do Projeto Manuelzão, Apolo Heringer. "A lagoa está nessa situação há mais de 60 anos e agora só vão arrumar para a Copa. É preciso que esses projetos tenham continuidade".