União de forças contra lixão

Metade do lixo mineiro não tem destinação correta

Aliança inédita para dar destino correto ao lixo produzido por cerca de 135 mil habitantes. Oito municípios mineiros da Zona da Mata e dois fluminenses assinaram ontem termo de cooperação para acabar com os lixões e implantar um aterro sanitário, forma mais adequada de disposição dos detritos. É a primeira vez que municípios de dois estados se unem para encontrar solução comum para os rejeitos urbanos. A iniciativa contribui para mudar um quadro preocupante em Minas Gerais: atualmente, quase a metade dos resíduos sólidos gerados no estado não tem a destinação adequada.


A partir de uma articulação das secretarias de Estado de Desenvolvimento Regional e Política Urbana (Sedru) e de Desevolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Semad), as cidades formaram um consórcio com o objetivo de compartilhar a gestão dos resíduos sólidos e viabilizar a construção de um aterro sanitário de uso coletivo. As ações incluem desde a coleta seletiva, com a parceria de catadores e carroceiros, a construção de usinas de triagem até a destinação dos resíduos para o aterro sanitário, que deve começar a operar em 2012. "Ao criar esse consórcio, é como se estivéssemos substituindo 10 aterros por um. Estamos otimizando os custos e poupando áreas contaminadas no futuro", afirma o secretário de Estado de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente, José Carlos Carvalho.


A iniciativa abrange cerca de 135 mil habitantes, dos municípios de Divino, Pedra Bonita, Fervedouro, Carangola, Faria Lemos, Pedra Dourada, Tombos e Santa Margarida, na Zona da Mata, além de Natividade e Porciúncula, no Rio de Janeiro. A estimativa é que essa população produza, diariamente, 67 toneladas de resíduos. Levantamento feito nas 10 cidades aponta que atualmente sete delas têm lixões - ameaças ao meio ambiente e à saúde pública - duas têm usinas de triagem e compostagem e uma tem aterro controlado. Para o prefeito de Fervedouro, onde os resíduos dos 11 mil habitantes vão para um lixão, Carlos Corindon (PP), o consórcio é um ganho em todos os sentidos. "A Promotoria de Justiça fica em cima da gente, mas o município não tem como arcar com um aterro sanitário", ressalta.

APOIO - A mineradora Anglo American, que está construindo um mineroduto na região, vai investir R$ 650 mil no consórcio. A partir da contratação de uma empresa de consultoria, a multinacional vai elaborar os projetos básicos e executivo, definindo a área e modelo de funcionamento do aterro sanitário, até o acompanhamento do licenciamento ambiental. A empresa também auxiliará os municípios para conseguir fontes de financiamento para o projeto. Uma das possibilidades é o Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC 2), do governo federal, que destinará mais de R$ 1 bilhão para projetos de resíduos sólidos.


Além disso, a empresa fará o diagnóstico da destinação do lixo em cada uma das cidades, mostrando a quantidade de material reciclável e de matéria orgânica descartada, e traçar planos municipais de gestão integrada de resíduos. Uma vez implantado o aterro, os municípios passarão a ser os responsáveis por sua administração e da estrutura criada para a destinação correta do lixo, como usinas de triagem e compostagem. José Carlos Carvalho deixa claro que apenas vai para a área material que não poderá ser reciclado. "Vivemos uma nova era na gestão de resíduos. O que a gente achava que era lixo pode ser reaproveitado", ressalta.

 

Jornal "Estado de Minas", 22/12/2010