Discussões preparatórias para Conferência Rio+20 encerram ciclo de painéis no Congresso da ABES

Alterações climáticas severas registradas no Brasil e no Mundo devem centralizar os debates no encontro que acontece no Rio de janeiro em junho de 2012, exatos 20 anos depois da ECO 92

"O derretimento das geleiras no Ártico e na Groenlândia, o aumento da intensidade dos furacões, a entrada do Brasil na rota de ciclones, a subida do nível do mar e o aumento do número de mortos em todo o Mundo evidenciam que o planeta está em colapso e precisamos agir rápido". O alerta é do ex-presidente da Abes, Luiz Otávio Mota Pereiro, um dos participantes do painel "Da Eco 92 à Rio+20", que encerrou o ciclo de palestras do Congresso da Abes, na FIERGS.

Segundo Luiz, as alterações climáticas devem centralizar os debates da Conferência Rio+20, marcada para junho de 2012 no Rio de Janeiro, e podem influenciar decisões sobre assuntos polêmicos no Brasil, como a usina de Belo Monte. "Depois da Agenda 21, compromisso assinado pelos 177 países da Eco 92, a sustentabilidade ganhou corpo e muitos governantes pensam duas vezes antes de fazer grandes empreendimentos", ressaltou o engenheiro, que foi presidente da ABES entre 1990 e 1992.

A excelência na gestão do saneamento para a universalização foi apontada como uma das grandes soluções para frear o processo predatório das sociedades humanas sobre o meio ambiente. "Para alcançarmos esta excelência, temos que eliminar alguns inimigos como a burocracia, as complicações jurídicas e os projetos mal feitos que hoje travam grandes obras de saneamento no Brasil", acrescentou a atual presidente da Abes, Cassilda Teixeira, que coordenou o painel.

Lineu Alonso, presidente da Abes entre 1988-1990, lamentou que a questão do saneamento ainda não seja uma prioridade no Brasil. "No meu mandato, o celular ainda nem existia aqui. Hoje o País totaliza 250 milhões de aparelhos. Porque conseguimos evoluir tanto em algumas áreas e em outras patinamos? Em parte é porque a população desconhece o assunto saneamento", refletiu.

Estudos mostram que para cada R$1 milhão investidos em saneamento, surgem 30 empregos diretos e 20 indiretos. Se o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) for implementado, os R$420 bilhões previstos até 2030 podem gerar 500 mil novos empregos por ano. "Urge que evoluamos no Plansab, tendo em vista que 100 milhões de brasileiros ainda não possuem esgoto tratado", alertou o ex-presidente da ABES da gestão 2000-2004, Antônio Cesar Silva.

Também estiveram presentes no painel os ex-presidentes da Abes Walter Pinto Costa (1984-1986), Nelson Luiz Nucci (1986-1988) e José Aurélio Boranga (2004-2008). Os painelistas relataram as dificuldades que enfrentaram durante suas gestões para colocar o desenvolvimento sustentável em pauta.

Semana da Água

Durante o painel "Da Eco 92 à Rio+20", a ABES-RS lançou a 18ª Semana Interamericana da Água e 11ª Semana Estadual da Água do Rio Grande do Sul, promovida em parceria com diversas entidades governamentais e não governamentais, será lançada oficialmente pela presidente da Abes (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental). A apresentação foi feita pela presidente da seção gaúcha da Abes, Nanci Begnini Giugno.

 

A Semana da Água ocorre de 1º a 8 de outubro de 2011, em todo o Rio Grande do Sul, com ampla participação da comunidade, especialmente crianças em idade escolar. A coordenação da Semana da Água utiliza diversos meios para se comunicar com a população e mostrar que é imprescindível para a própria sobrevivência conservar e proteger os mananciais de água, as nascentes, os arroios, rios, lagoas e banhados.