Seminário sobre Política Nacional de Resíduos Sólidos em BH aborda questões essenciais na gestão de resíduos no país

O mineiro gera cerca de um quilo de resíduos sólidos por dia. E esta taxa tem crescido em todo o país, ressalta José Cláudio Junqueira, presidente da Feam (Fundação de Meio Ambiente) no Seminário Política Nacional de Resíduos Sólidos - Desafios e Oportunidades, promovido pela Fundação SOS Mata Atlântica, Amda, Anamma e Cempre. O evento aconteceu ontem (28) no teatro da Assembléia Legislativa de Minas Gerais.

Segundo Junqueira, muitos desses resíduos - como o alumínio, plástico, papel e papelão - tem valor agregado e estão sendo desperdiçados. E com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), este quadro precisa ser mudado drasticamente, pois estamos jogando dinheiro no lixo.

Para o presidente da Feam, a maior reflexão deve ser no sentido de não gerar tanto resíduo e, para tanto, modelos tecnológicos utilizados e a própria capacitação da mão de obra precisam ser revistos.

Janice Pereira, do Centro Mineiro de Referência em Resíduos (CMRR) defende que a gestão de resíduos deve trabalhar a questão social junto à questão ambiental. Para ilustrar este ponto, como ressaltou em sua fala o diretor de planejamento e gestão da SLU, Lucas Gariglio, a maioria esmagadora dos municípios brasileiros não tem sequer aterro controlado - situação inadmissível e que precisa ser repensada com urgência.

Durante o seminário, outro ponto bastante discutido foi a importância do papel do consumidor para o funcionamento da política reversa prevista na PNRS. "Temos o hábito de guardar celulares, ipods e outros equipamentos que já não usamos mais na gaveta," diz André Vilhena, do Cempre. Hábito este que precisa ser deixado para trás, pois o consumidor passa a ter papel ativo neste contexto para que os produtos descartados sejam devolvidos às empresas responsáveis.

Em sua fala, a superintendente executiva da Amda Maria Dalce Ricas, lembrou que, enquanto o desperdício fizer parte de nosso modelo econômico e for respaldado por políticas públicas, qualquer ação isolada não será o suficiente. Daí a importância de seminários como este: é preciso que toda a sociedade esteja informada e capacitada a fazer sua parte na gestão de resíduos sólidos no país.